Por um perÃodo, a internet e o e–mail foram a forma de comunicação que funcionou.
Por Michel Lent Schwartzman
É dia 12. O day after da queda das twin towers. Do massacre do terror no coração dos americanos estados unidos. Tudo parou. Paramos todos. Ninguém acreditava. Ainda é difÃcil de acreditar.
Os canais temáticos de TV americanos colocavam cartazes ‘assistam a outro canal’ ou retransmitiam as redes de notÃcias. Tudo se interrompeu, o mundo parou na frente da telinha pra assistir ao vivo a ficção do inacreditável.
Achei que precisava parar e falar sobre isso.
O que sabemos é que em tempos de guerra tudo o que não é essencial fica menor. DifÃcil pensar ou falar de CRM, marketing, publicidade, interface, em situações como essa. Tudo parece não importar.
Os sites de internet não agüentaram o tranco. Não deu.
CNN para segurar a barra, colocou uma capa reduzidÃssima com o essencial. Globo, Terra, UOL, todos saturados. Chegou–se a constatação de que a web afinal, não seria o veÃculo ideal pra se obter informações em situações extremas como essa. Mas a internet sim.
A notÃcia me chegou primeiro pelo e–mail no trabalho. Em tempo real, com uma imagem de uma torre do WTC em chamas atingida por um avião. Corri pra TV. A outra já havia sido atingida. Entrei numa reunião. Sai, a primeira tinha caÃdo. Em minutos a segunda. Eu estava vendo.
Em seguida, uma lista de discussão que assino com ex–colegas da NYU, a maioria residente em Nova York, se transformava de um fórum para troca de dicas de multimÃdia para um help–line. ‘Donate blood’, ‘how to help’, ‘paging John’ eram os tÃtulos das mensagens.
Telefones em instantes congestionados. Ninguém se falava dentro de Manhattan. Ninguém conseguia ligar para os Estados Unidos.
Recebi notÃcias de amigos de Nova York via ICQ. Não conseguÃamos falar, mas eles estavam ali, online. Recebi e–mails com fotos tiradas por conhecidos nas ruas de Manhattan. Links para sites com bloggers onde as notÃcias eram atualizadas por quem estava lá em tempo quase real.
A internet e o e–mail era a única e a mais eficiente forma de comunicação para a comunidade mundial permanecer perto e se ajudar. Apenas as conexões dedicadas das casas, escritórios e escolas, funcionando a pleno vapor, deixando a aldeia em sintonia.
O que vai ser do mundo daqui pra frente, não temos idéia e de nós não temos idéia. Os próximos dias serão decisivos. Quem sabe seguir viagem ao interior do Mato Dentro buscando aquilo que é essencial para a nossa vida e nossa subsistência. Duas calças jeans, três camisetas. Um sapato, um par de chilenos. Deve bastar. Não precisamos mais do que isso pra viver.
Espero que todos os em terra gringa estejam bem e que tenham escapado doterror fisico. Do terror emocional, somos e seremos todos reféns enquantoeste pesadelo durar. Que a paz vença a guerra, acima do bem e do mal.
[Publicado originalmente no Webinsider]
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