ViuIsso? Por Michel Lent

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Archive for August, 2010

Por Joaquim Ferreira dos Santos em 31/8/2010

Reproduzido de O Globo

Descansa em paz JB que amanhã pela manhã, quando chegar às bancas a edição do dia 31 de gosto de 2010, esgota seu deadline neste vale de resmas de papel, e alguém vai gritar o definitivo “Parem as máquinas” num cantinho malassombrado da Avenida Brasil 500.

Penteia o teu último nariz de cera, JB, pede ao Joaquim Campelo para copidescar uma pirâmide invertida que está na página três, diz ao Gabeira para pesquisar a capa que o Alberto Dines fez do AI-5 – e desce a página para o túmulo dos grandes jornais.

Leva um abraço com bafo de uísque para o Zózimo Barroso do Amaral, sempre circulando entre as mesas, já sem o smoking da festa de ontem à noite, e pedindo pelo amor de Deus uma notinha. O foca dizia qualquer coisa que tinha acabado de ver na rua, para que o espírito caminhante de Zózimo sossegasse o facho e ele pudesse escrever a matéria. No dia seguinte, a notinha, um quase nada, uma bolha de sabão, estava impressa no jornal com um charme que enfeitiçaria dezenas de colunistas em gerações futuras, todos frustrados em tentar a mesma leveza e humor sofisticado, mas definitivamente sem conseguir o mesmo buquê do Zózimo.

Dúvida do general

Descansem em paz o velho atrasador de jornal, o calhau, o bandejão, o Brito’s, o plantão na porta do embaixador sequestrado, e também o ascensorista Vovô, o senhor negro encaixotado o dia inteiro em sua jaula de alumínio da Atlas e que quando passava pelo andar da redação anunciava “Parque de diversões”.

Seus antepassados tinham sido escravos, ele passara a infância capinando na roça, e não entendia que aquela gente de terno, jogando bolinha de papel amassado umas nas outras, pudesse estar trabalhando.

Acabou de rodar a última edição, JB, não se ouvem mais as Remington, mas a fumaça dos cigarros fumados por todos aqueles anos ainda toma o ambiente. Chegou a última notícia, e ela diz que é hora de tomar a saideira naquele sujinho na Leopoldina.

Descansa em paz pescoção das sextas-feiras, quando a turma do Esporte passava uma lista de contribuições pelas demais editorias e abria um garrafa de White Horse para que ficasse mais suave cavalgar noite adentro no dorso selvagem de títulos de três de 13. Descansem em paz Oldemário Touguinhó, Luarlindo Ernesto, nomes mais fabulosos da História do jornalismo brasileiro, superiores ao de Oderfla Almeida, o Alfredo ao contrário, que também já se foi e nunca teve a felicidade de trabalhar no JB da Condessa, da Cleusa Maria, da Susana Schild, da Norma Couri e de todas aquelas avançadíssimas moças do Caderno B, num tempo em que redação era coisa de macho.

Descansa em paz, Carlinhos de Oliveira, cronista atormentado de três textos semanais, muitos escritos na varanda do Antonio’s, muitos de olho em alguma cocota que passava e, como já era comum no Leblon, antes mesmo de Herbert Vianna anunciar no Paralamas, elas não olhavam para Carlinhos porque, embora gênio, o cronista usava óculos.

Descansa em paz o dia em que a condessa recebeu a figura augusta do general Costa e Silva. Depois de atravessar com o sujeito pela redação, a condessa disse que no dia seguinte seria publicada uma reportagem sobre a visita. “Tem elogio?”, perguntou o general. A dona do jornal desconversou. Disse que era uma reportagem descritiva, como são as boas reportagens. O general dispensou. “Se for assim, não precisa, eu gosto mesmo é de elogio.”

Chamada de primeira

Descansem em paz todas as histórias folclóricas de redação, todos os estagiários que foram encarregados de pegar a calandra e entregar ao editorialista Wilson Figueiredo. Soltem-se todos os balões que o Alberto Ferreira, o chefe da fotografia, autor da foto da bicicleta do Pelé, esticava no chão do laboratório. Chegou a hora triste de pautar um repórter para fazer a ronda dos cemitérios e descobrir que o morto de hoje é o próprio jornal. Escreva-se o funéreo com a elegância que formou várias gerações de grandes jornalistas e ajudou a fundar o espírito de uma cidade. Sem pieguismo, que os neoconcretistas não vão gostar. Pau na máquina. Fecha com a foto da freira caída na frente do ônibus, do Evandro Teixeira.

Descansem em paz Wilson Coutinho, a lauda de 30 linhas e 72 toques, e mais ainda Mara Caballero, a diagramação sem fios do Amilcar de Castro, os disfarces de mendigo do Tim Lopes, o elefantinho, o ele da primeira página, os classificados de troca de casais, os velhos homens de imprensa, as estagiárias da pesquisa, a reportagem geral com 53 repórteres e o especial do Caderno B em que Lena Frias mostrou para toda a Zona Sul que do outro lado do túnel havia outra cidade cultural, o Black Rio.

Descansem em paz a matéria com cópia em papel-carbono, o salário ambiente, o suplemento literário, o diretor que assediou a secretária e provocou uma passeata na Rio Branco, e também o dia em que o editor jogou para o alto o juramento que fez sobre a Bíblia de Gutenberg. Ele não resistiu e colocou na primeira página de uma segunda-feira a foto daquela repórter da Geral que tinha o mais belo bumbum da redação e fora flagrada, de biquíni, em Ipanema, em toda a exibição orgulhosa de seu trunfo, pelo fotógrafo que fazia a inevitável matéria sobre o movimento das praias no domingo. Descansa em paz a lenda de que se ganhava pouco mas era divertido.

É hora de descer a última página e, como nos artigos de Dom Marcos Barbosa, reunir todos os que se formaram naquela redação para dizer muito obrigado e amém.

P.S.: Não esquece de chamar na primeira.

(Via Observatório da Imprensa)

8,2 milhões de brasileiros visitaram o Facebook em julho deste ano. Um crescimento de 524% com relação ao mesmo mês no ano passado, segundo o ComScore. A rede social mais usada no Brasil continua a ser o Orkut com 28,9 milhões de brasileiros que acessaram o site no mesmo período. Mas o crescimento do Orkut foi de apenas 27%, o que indica que se o Facebook mantiver o mesmo ritmo de crescimento irá passar o Orkut em menos de 1 ano. E foi isso exatamente o que aconteceu na Índia, onde o Orkut era líder e foi passado este ano pelo Facebook.

No ranking dos maiores usuários de redes sociais do mundo, o Brasil está colocado em 5º lugar: 1º EUA; 2º China; 3º Alemanha e 4º Rússia. (Via Estadão)

Ainda no tema do que está acontecendo com a internet e o que está acontecendo com as nossas mentes expostas ao uso da rede por mais de uma década, vem este interessante artigo de Steve Lohr, colunista de tecnologia do New York Times, publicado no Estadão de hoje.

Lohr reflete sobre as recentes declarações de Chris Anderson e Michael Wolff na Wired Magazine de que a Web estaria morta uma vez que  navegamos menos e menos pela Web livre e cada vez mais fazemos uso de aplicativos e plataformas fechadas. Lohr  argumenta que o surgimento de novas mídias sempre modificou as anteriores mas não acabou com elas e que agora estaríamos vendo o mesmo fenômeno acontecer aqui.

No meu ponto de vista, o argumento de Nicholas Narr de que estaríamos ficando burros com a internet, e os de Anderson, Wolff e Lohr, na realidade são partes do mesmo contexto. A super-exposição de informação e possibilidades a qual estamos expostos está fazendo com que busquemos simplificar nossas opções de consumo de mídia e serviços e otimizar nosso tempo. Justamente porque estamos sobrecarregados e nos sentido burros, estamos caminhando para concentrar nossas atividades em grandes estruturas unificadas como Facebook, Twitter e aplicativos, tentando assim concentrar nosso tempo em um pouco menos de atividades ou menos interfaces e assim nos sentirmos menos perdidos e, quem sabe, menos burros. (A quantidade de ‘menos’ na frase é proposital. Falei sobre ‘Menos é Menos’ neste artigo para a Pix).

A discussão é interessantissima e ela parece estar basicamente começando.

Vale a pena ler o artigo de Steve Lohr publicado hoje no Estadão e reproduzido abaixo.

15 anos atrás, a Microsoft lançava o Windows 95

August 24, 2010 Tags: , , , , Comments Off 3,094 views

Talvez o mais importante lançamento da Microsoft até hoje, há exatos 15 anos, Windows 95 era apresentado ao mercado em grande estilo, com auditório lotado e Bill Gates de host, no melhor jeito Steve Jobs, numa época em que a Apple cambaleava e a Microsoft surfava de vento em popa, transformando Gates no homem mais rico do mundo. (Via Business Insider)

A Web está nos emburrecendo?

August 23, 2010 Tags: , , , , 4 comentários 9,246 views

Estamos todos atordoados com o overflow de informação e vivemos a Economia da Atenção: consequência da saturação dos meios e democratização das ferramentas de publicação. Crianças tomando remédio nas escolas porque não conseguem manter a atenção por períodos mínimos gerando problemas de comportamento: descompasso entre o método de ensino e os dias de hoje. Ecossistema midiático molda a maneira como programamos nosso cérebro o que explicaria a forma diferente de pensar das gerações: largamente documentado. Capacidade de ser multitarefa e se adaptar a tantas atividades paralelas: uma questão de tempo, algo que as novas gerações vão conseguir fazer.

Bem… não é exatamente assim que pensa Nicholas Carr e não é o que ele defende em seu novo livro, ‘The Shallows, What the Internet is Doing to our Brains‘, onde pondera que na realidade a internet está reprogramando nossos circuitos neurais de uma forma emburrecedora, efetivamente tirando a nossa capacidade de concentração por longos períodos e que, da forma que o conteúdo da Web está disposto (dividido entre tantos estímulos), estaríamos efetivamente nos emburrecendo enquanto humanidade.

A entrevista com ele publicada hoje no caderno Link do Estadão dá uma boa idéia da sua visão e do que ele pensa que esteja efetivamente acontecendo. Vejam que Carr não é um cara que pode ser considerado retrógrado ou reacionário. Ao contrário, ele é um consagrado autor de tecnologia e escreve sobre o assunto há anos.

Sem ainda ter lido o livro dele, os argumentos me parecem muito relevantes e acredito que ele está certo em boa parte do que diz, ao menos com relação ao que foi publicado nesta matéria (reproduzida abaixo).

A Jacqueline Lafloufa e o Marcelo Albagli, foram super atenciosos e gravaram comigo essa entrevista com a turma do BlueBus, logo após a minha palestra no DigitalAge no último dia 19/8. Nela eu tentei resumir um pouco o tema da minha apresentação. Pra quem viu os slides mas não esteve no evento pra ver ao vivo, talvez seja um complemento legal.

Nessa mesma tarde, o pessoal do DigitalAge gravou comigo esta outra entrevista, que complementa mais um pouco os temas abordados na minha palestra e no debate que se deu a seguir.

Numa era de muito conteúdo e pouco tempo, em meio à cultura do ‘grátis’, uma questão vital preocupa os veículos: se os meios tradicionais de remuneração do conteúdo encolheram, e ainda faltam novos modelos de receita, como fica a sobrevivência da mídia? E qual nosso papel como leitores, marcas e anunciantes no futuro da produção intelectual?

Com esta palestra apresentada pela primeira vez no DigitalAge 2.0 2010, eu tentei responder a esta e outras questões sobre o que rege a dinâmica do ‘sucesso’ nos meios digitais.

Os jovens em geral, mandam mais mensagens de texto que os adultos. Mas entre as meninas americanas, este número passa de 100 mensagens por dia. Neste mesmo painel, 47% dos adultos admitiram que digitam enquanto dirigem. Veja esta e outras no infográfico do Mashable.

Nossos amigos do Flowtown criaram este infográfico o perfil dos blogueiros mundo afora, com base em informações fornecidas principalmente pelo Technorati em 2009 através do seu já conhecido State of the Blogosphere que é publicado anualmente. O estudo mostra algumas coisas interessantes: ‘blogar’ parece estar se tornando algo menos popular ou mais maduro, na medida em que a maioria dos blogueiros já faz isso há mais de 2 anos; mais de 40% dos blogueiros têm pós-graduação; a maioria absoluta tem mais de 35 anos; e aqueles que declararam viver dos blogs, ganham acima de 120 mil dólares por ano (embora não esteja especificado que percentual dos blogueiros ganha isso).

O blog Flowtown pegou os principais sites do mundo focados em atividades sociais em redes e traduziu os números de usuários de cada empresa em área, para em seguida montar um mapa-mundi. Veja que interessante o resultado. (Via BlueBus)