Numa era de muito conteúdo e pouco tempo, em meio à cultura do ‘grátis’, uma questão vital preocupa os veículos: se os meios tradicionais de remuneração do conteúdo encolheram, e ainda faltam novos modelos de receita, como fica a sobrevivência da mídia? E qual nosso papel como leitores, marcas e anunciantes no futuro da produção intelectual?
Com esta palestra apresentada pela primeira vez no DigitalAge 2.0 2010, eu tentei responder a esta e outras questões sobre o que rege a dinâmica do ‘sucesso’ nos meios digitais.
Antes de mais nada, é difícil comentar sem ter ouvido o que vc falou entre slides, mas vamos lá.
Respeito sua opinião e sua visão, mas acredito, de verdade, que aqui vc confundiu alhos com bugalhos.
Os livros nunca dependeram da publicidade em nada. O cinema nunca precisou de publicidade para viver, o canal de distribuição da sua 3 janela sim. A música nunca precisou de publicidade para viver, o canal de distribuição radiofônico sim. Os programas de televisão já nasceram viciados no canal, mas uma boa revolução pode garantir que eles continuem vivendo sem os canais das grandes corporações. Acho que o mais delicado é o jornalismoa, que tem que entender que deixou de ser um gerador de notícia e deve ser um pensador das notícias, pq no modelo fast food, ele não bate um tuítche.
Tem uma entrevista, acho que do Ridley Scott no Inside the Actors Studio, que ele fala que o poder soberano sempre bancou a arte. Ora a Igreja, ora os nobres, ora a publicidade. Chegou a hora do público?! Talvez…
ale, boas colocações. realmente, talvez tenha ficado pouco reforçado na parte escrita da palestra. o problema da musica, filmes e livros nao é a falta de suporte da publicidade. neste caso é a pirataria mesmo, que afeta mais a musica, o cinema e até as series de tv do que os livros. e vale lembrar que os programas de tv sao, na sua maioria, feitos por corporacoes e funcionam baseados tambem em publicidade, embora solucoes estilo itunes store possam ser um caminho. enfim, foram 30 minutos para falar de um assunto vastissimo. a minha intencao era mesmo chamar a atencao para o problema e iniciar a discussao. grande abraço!
[...] Veja apresentação e pense no assunto. É um debate complexo e bem interessante. [...]
Também não vi sua palestra. Tô aqui em San Francisco, na Ux Week. Quando se fala de website aqui é como falar de uma moda da década de 80. Os apps viraram a soluçāo pra qq problema, mesmo sendo muito frequentemente pagos e mais frequentemente ainda walled gardens. Tudo indica que tenhamos chegado no ponto em que as pessoas preferem pagar pra ter uma experiência redonda e um conteúdo garantido, do que consumir de graça, no salve-se quem puder da “web livre”.
Se essa tendência descer pros trópicos as grandes marcas (re)ganham força, e o produtor de conteúdo de qualidade se salva.
A pergunta é: será que desce?
Grande Gluz,
Eu acho que desce sim para os trópicos. Aliás, já desceu. Não fazemos outra coisa aqui desde o início do ano passado que não seja sharable e no contexto da navegação. Sites são um luxo do qual não podemos dispor mais, a não ser as presenças institucionais de marca, mas dentro de uma outra ótica muito diferente.
A questão que fica, para os trópicos ou o norte é que, mesmo no mundo dos apps, só fazem grana aqueles que estão na cabeça da cauda e aí a dinâmica é a mesma. Ou você faz alguma coisa awesome ou não passa da linha de corte. Os apps, são uma solução para o modelo de negócios, mas não resolvem o problema das corporações tradicionais que é entender o que é bacana hoje em dia para os usuários.
Eu tenho visto isso direto com os apps para crianças. Grandes empresas não pegaram o jeito do negócio e simplesmente não conseguem ir pras cabeças com o que produzem…
Sempre me chama atenção este mau hábito das pessoas em seu discurso de que tudo tem que ser grátis. Já ouvi alguns (vários) reclamando do fato de começar a ter publicidade no twitter. Eu me pergunto como é que essas pessoas acham que surgem aplicativos assim.
Há uma certa tolice em crer que desenvolvimento, hospedagem, manutenção e suporte são atividades gratuitas, que alguém põe em prática ideias geniais, que dão tanto trabalho, apenas porque é legal. Não é porque a principal “finalidade” é entretenimento que não se trata de trabalho. Um trabalho prazeroso, mas trabalho. Mesmo nas redes sociais, alguém tem que pagar a conta.