Estamos todos atordoados com o overflow de informação e vivemos a Economia da Atenção: consequência da saturação dos meios e democratização das ferramentas de publicação. Crianças tomando remédio nas escolas porque não conseguem manter a atenção por períodos mínimos gerando problemas de comportamento: descompasso entre o método de ensino e os dias de hoje. Ecossistema midiático molda a maneira como programamos nosso cérebro o que explicaria a forma diferente de pensar das gerações: largamente documentado. Capacidade de ser multitarefa e se adaptar a tantas atividades paralelas: uma questão de tempo, algo que as novas gerações vão conseguir fazer.
Bem… não é exatamente assim que pensa Nicholas Carr e não é o que ele defende em seu novo livro, ‘The Shallows, What the Internet is Doing to our Brains‘, onde pondera que na realidade a internet está reprogramando nossos circuitos neurais de uma forma emburrecedora, efetivamente tirando a nossa capacidade de concentração por longos períodos e que, da forma que o conteúdo da Web está disposto (dividido entre tantos estímulos), estaríamos efetivamente nos emburrecendo enquanto humanidade.
A entrevista com ele publicada hoje no caderno Link do Estadão dá uma boa idéia da sua visão e do que ele pensa que esteja efetivamente acontecendo. Vejam que Carr não é um cara que pode ser considerado retrógrado ou reacionário. Ao contrário, ele é um consagrado autor de tecnologia e escreve sobre o assunto há anos.
Sem ainda ter lido o livro dele, os argumentos me parecem muito relevantes e acredito que ele está certo em boa parte do que diz, ao menos com relação ao que foi publicado nesta matéria (reproduzida abaixo).

Preciso concordar com o Carr. Isso é muito perceptível em apresentações de eventos. O storytelling dá lugar às imagens enormes e chamativas, às frases curtas e contundentes na tentativa de captar a atenção do público e evitar os bocejos. Para reforçar ainda mais esse senso de – compressão da relevância – muitos consideram “no fim das contas, pra que pagar e ir ao evento se tudo que importa será divulgado online depois, num compacto de 5 minutos?”.
Concordo parcialmente com o artigo acima.Parcialmente pois acredito que na sociedade ocidental sempre houve uma certa dificuldade em visualizar os aspectos mais genéricos de uma questão, o todo, digamos assim. A mente foi acostumada há muito tempo a não ser treinada, orientada para a filtragem de informações. É raro você observar um “especialista” em alguma coisa que consiga ver além daquilo que ele se condicionou a enxergar. Mas não creio que nosso cérebro e nosso organismo independa totalmente da nossa vontade, nosso livre-arbítrio. Apenas temos que aprender com os zens e afins como treinarmos nossas mentes para permanecermos em paz, mesmo no meio da praça da sé, sem nos confundirmos e nos apegarmos a esse overflow de informações.
[...] meu ponto de vista, o argumento de Nicholas Narr de que estaríamos ficando burros com a internet, e os de Anderson, Wolff e Lohr, na realidade são partes do mesmo contexto. A super-exposição de [...]
Tinha visto isso?
http://oglobo.globo.com/vivermelhor/mat/2010/07/02/executar-varias-tarefas-ao-mesmo-tempo-pode-ser-menos-eficiente-mais-estressante-alertam-pesquisas-917049385.asp
Foi cortado da matéria online, mas tem também uma entrevista com Mark Bauerlein, autor do livro “The dumbest generation” que fala a mesma coisa há algum tempo…