ViuIsso? Por Michel Lent

Notícias do mercado de internet, publicidade interativa, e comunicação em geral.

Fuçando as minhas gavetas virtuais achei esse artigo meu de 1998. Se você trocar algumas palavras do texto por termos de hoje em dia, é incrível, mas o assunto parece mais vivo do que nunca. :)

Bar e restaurante web site: como cobrar pelo seu trabalho na Internet
Todo mundo que trabalha com produção de websites já se deparou com o mesmo dilema: Como cobrar? Por número de páginas? Por imagens scanneadas? Por gifs e applets? Pelo projeto todo?Por tabela pré-definida? Veja aqui algumas regras que podem ajudar você a montar o preço na hora de cobrar pelo seu trabalho.

1998.04.22 :: Michel Lent Schwartzman

Como a mídia é relativamente nova e o mercado muito recente, podemos dizer que ainda não existe uma cultura relacionada a este problema, mas já existe um relativo consenso e gente dando boas soluções. Aos poucos, os profissionais de mídias interativas estão se reunindo e decisões já vêm sendo tomadas. Neste sentido, já está em fase de oficialização em São Paulo o Promit (Associação Nacional de Profissionais de Mídias Interativas); seguramente uma das iniciativas que a associação vai tomar será em relação à uniformização do formato de cobrança.

Enquanto seu lobo não vem, vamos às formas de cobrança mais usadas.

Um site é como uma casa
Arquitetura de informação e arquitetura tradicional têm mais em comum do que nossa vã filosofia desconfia. Um projeto de website pode e deve ser encarado como um projeto de construção civil. Dependendo do tamanho do terreno, da necessidade do cliente e do quanto ele quer gastar, teremos um projeto diferente. Pode ser um projeto mais sofisticado e menor, mais extenso e mais simples. Por aí vai.

Sempre que possível INSISTA com seu cliente para que ele lhe dê uma idéia de seu orçamento. Mesmo os que dizem que não sabem SEMPRE têm uma idéia. Se o cliente relutar, use a tática do 8 ou 80: pergunte se ele quer gastar R$ 80 mil e em seguida pergunte se ele quer gastar R$ 8 mil. Seguramente você sairá com uma estimativa.

Com sua estimativa na mão, projete seu site como um todo: objetivo principal, tecnologia e pessoal envolvido, tempo e preço de cada parte, gastos com material, equipamento, viagens etc. Procure fazer o MELHOR com a quantia que seu cliente deseja dispor.

Em seguida apresente o projeto da maneira mais detalhada possível, como um arquiteto mostra a planta de uma casa. Crie exemplos navegáveis, faça pranchas de apresentação impressa, tente dar a noção para o seu cliente do que ele vai ganhar em troca do que está gastando.

Sites como pratos de um restaurante
Mas e se o cliente não te diz o quanto quer gastar? Ou pior, se seu cliente não tem idéia do que quer? Por favor, dar preços relativos ao custo das imagens, GIFs, páginas ou qualquer outra parte do processo é muito confuso! Se o cliente perguntar pelo preço de um produto pronto e receber como resposta um monte de preços soltos, será o mesmo que adentrar um restaurante querendo comida e o maitre lhe dizer:

“- O senhor quer comida? Pois não. Cobramos R$ 3,50 para cortar um pedaço de carne, R$ 4,50 pelas 250g de filé, R$ 2,25 pelas 400 gramas de batata, R$ 0,50 para cortá-las em formato palito, R$ 1,50 por 250 ml de óleo vegetal e R$ 0,15 pelo gáz utilizado na atividade.”

Seria mais fácil dizer que o filé com fritas custa R$ 12,40.

Como num restaurante, o ideal é se partir para a técnica do cardápio e mostrar exemplos de websites como quem mostra a relação dos pratos. Isto é importante para que o cliente tenha a chance de descobrir sozinho algumas das possibilidades do que a Internet pode fazer por seu negócio e tomar uma decisão baseada em disponibilidade e objetivos.

Procure desenvolver alguns modelos básicos e bem diferentes de projetos de sites. Um site de portfólio para designers, um institucional para empresas, um para lojas virtuais e por aí vai. Pré-determine tudo que estes modelos terão e afixe um preço para cada um. Por mais trabalhoso que isso possa parecer, você vai estar fazendo o mesmo que um dia algum dono de restaurante já fez. Ou quem sabe, de forma ainda mais eficaz, dar uma de MacDonald’s e deixar seu cliente ligar pedindo:

Uma promoção número 4, por favor.