ViuIsso? Por Michel Lent

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“Getting Down to Business” (artigo)

August 15, 2012 Tags: 3 comentários 2,170 views

“Getting Down to Business”
A nova era de startups é muito animadora, mas o desafio da monetização continua imenso.

Michel Lent Schwartzman – Agosto de 2012.

O sucesso astronômico do Angry Birds, a venda do Instagram por USD 1 bi para o Facebook e mais uma série de ‘histórias de sucesso’ que imprensa tem noticiado nos últimos meses trouxe de volta um frenesi inegável para o mercado de tecnologia.

A história não chega a ser inédita. Quem já estava por aqui em 1999 se lembra das loucuras que rondavam o então mercado .COM, onde qualquer empresa de tecnologia ganhava investimentos fartos e pagava salários absurdos em busca do sonhado IPO e da chance de fazer milionários

Muita gente se beneficiou nesta ciranda que era então, basicamente financeira. Porque apesar de toda a promessa do incrível mundo que a tecnologia podia fazer, havia verdadeiramente pouca massa crítica de usuários de internet naquela época, 360 milhões de usuários em todo o mundo, sendo que pouco mais de 5 mihões no Brasil e o número de empreendimentos de internet acabava sendo completamente desproporcional aos usuários disponíveis.

Doze anos depois a realidade é completamente diferente. Mais de 1/3 da população mundial já acessa a internet através de computadores, 1 bilhão em uma única rede social (Facebook), mais de 90 milhões de usuários de internet no Brasil, e quando incluímos nesta conta os usuários de telefone celular que começam a acessar a internet através de seus dispositivos móveis, chegamos a números verdadeiramente astronômicos.

É verdade. Hoje é possível se construir um serviço digital e ter ele acessado rapidamente por milhões de usuários em todo o mundo. Algo que você cria em sua casa com um grupo de amigos, pode ter uma popularidade astronômica.

Escolhi a palavra ‘popularidade’ de propósito.

Num mundo com bilhões de usuários de internet, ter algo popular, se você for parar para pensar, é algo até bastante simples de acontecer. Inventar algo que é popular é muito bacana e recompensador do ponto de vista pessoal, mas a popularidade em nada garante seu sucesso financeiro.

Os modelos de receita baseados em publicidade se mostraram insustentáveis. Se o New York Times tem dificuldade em viabilizar sua operação online com publicidade, é sinal de que o modelo apresenta problemas e a reposta para isso é simples: as propriedades digitais em busca de publicidade aumentaram exponencialmente nos últimos anos enquanto o número de grandes anunciantes permaneceu o mesmo, ou diminuiu (face as consolidações das empresas).

E ter o sucesso financeiro, não baseado em publicidade, de um Instagram ou de um Angry Birds, não tem nada de simples.

A Rovio, empresa que criou o Angry Birds, já existia há mais de 10 anos e havia lançado 52 jogos antes de acertar a mão com os pássaros zangados. E o Instagram estava no lugar e na hora certa na negociação financeira feita com o Facebook.

Mérito da Rovio e do Instagram? Sem dúvida. A questão é que para cada caso de sucesso há dezenas de milhares de outros casos de fracasso.

Muitos fracassos podem ser atribuídos a falta de sorte. Sim, por mais que você se esforce e faça seu trabalho, a sorte é ainda assim um fator importante em todo caso de sucesso.

Mas a grande maioria dos casos de fracasso, nada tem a ver com a sorte. Tem a ver simplesmente com a falta de definição clara do modelo de negócios que não seja baseado em publicidade.

A pessoa tem a idéia e a idéia pode ser até bem popular e ganhar milhões de usuários, mas acha que vai ganhar dinheiro com propaganda. A receita de publicidade pode até ser suficiente para um indivíduo sozinho, mas dificilmente irá sustentar uma empresa. Portanto, se não houver outro modelo de receita e de negócios claro, basicamente estamos falando de algo que está fadado a se tornar insustentável a longo prazo.

Ao longo dos últimos anos tive o privilégio de receber dezenas de empreendedores iniciando suas startups com idéias muito bacanas, mas a pergunta que sempre fazia na mesa depois de assistir ao ‘pitch’ inicial era: “OK, mas como é que isso vai dar dinheiro?” e quando a resposta era “Com publicidade”, sempre acabávamos voltando para a estaca zero.

Se você está no momento de empreender, aproveite a boa onda e o bom momento. Suas chances de sucesso são sim imensas, desde que você não deixe de ‘get down to business’ definindo modelos de negócio sustentáveis, logo no primeiro momento.

**INFORMATION STACK OVERFLOW**
Ou, “O dia em que paramos de prestar atenção”
Por Michel Lent Schwartzman

Artigo escrito para Revista Wide de março de 2012.

Você viu aquele último infográfico sobre o Pinterest? Acompanhou a queda dos mobile games da Zynga contra a ascensão do Draw Something? Como tá o seu campeonato no Fifa 12? Tem ligado seu PS3? Viu a discussão no Facebook sobre o viral da pré-campanha do Kony? Ficou sabendo que o Itaú ganhou um milhão de likes? Viu a hashtag que tava bombando hoje de tarde no Twitter? O viral mais recente no YouTube? Abriu o seu Flipboard hoje? Leu algum jornal? Avançou em algum livro da sua lista de leitura? Viu a capa da Exame? Passou o olho na Wired? Viu as matérias da F@stCompany? Entendeu as diferenças do novo iPad? E o número de Androids que não para de crescer? Viu o Jornal da Globo ontem? Porto Digital bombando e até 70 milhões de internautas móveis até o fim do ano no Brasil! Seu 3G tá funcionando? Leu os comentários que deixaram no seu Instagram? Encomendou seus imãs? Imprimiu alguma das fotos da viagem? Fez o backup das fotos? Conseguiu configurar o seu dropbox? Deu uma olhada nos novos apps da app store? Assinou o Netflix? Comprou a AppleTV brasileira? Viu os filmes que já tem? E os do Now? Deu uma olhada? Lembrou de deixar uma mensagem no wall do seu amigo? Foi aniversário dele, lembrou? Aproveitou pra responder as mensagens diretas que te deixaram no Face? E as do Twitter? Respondeu? E o Whatsapp? Abriu o seu email pessoal hoje? Conseguiu apagar o spam que escapou do filtro? Respondeu aquele email que está lá há uma semana? Olhou o inbox agora de tarde? Já organizou de novo? E a sua lista de tarefa? Já viu a última versão do iProcrastinate? É sério, o app chama assim mesmo e faz sync com o iCloud. Conseguiu migrar para o iCloud falando nisso? Aliás, já atualizou pro Lion? Vem aí o Mountain Lion, tá sabendo? Tá ficando mais parecido com o iOS. Ah, você tá usando Windows? Mas daí, tá dando pau ou tá estável? O anti-virus tá em dia? Tem feito backup do HD? Viu que agora tem seguro contra roubo de tablet e smartphone? Tá bombando de vender. Arrumou algum esquema de backup na nuvem? Tá lembrando de fazer o backup de tudo? O seu GMail também tá lotando? E agora? Vai abrir outra conta? Mas precisa guardar mesmo todas as mensagens? O timesheet, já preencheu? Instalou o Raportive? É o máximo, dá pra saber tudo da pessoa que tá te escrevendo email, tem até fotinho. Aliás, lembrou de aceitar os convites no LinkedIn? Entrou lá recentemente? Seu currículo tá atualizado lá? E lembrou de escrever as recomendações que te pediram? Ah, já fez sua página no About.me? Fica muito maneira. Ah, mas é melhor fazer no Zerply também, just in case. Aliás, o teu CV tá em inglês no LinkedIn? By the way, how is your English? Tá good? Tá bombando de gringo vindo para o Brasil procurando gente legal. E no final das contas, é só fazer alguma parada em inglês pro mundo inteiro ver. Se fizer um app e colocar na app store pode ficar milionário, você viu? Tá cheio de gente ficando. Eu não conheço ninguém, mas o tem um conhecido de um amigo meu que ficou. Fez um aplicativo, programou de madrugada. E os frilas, tá conseguindo fazer? Foi na academia essa semana? Não? Pagou pelo menos? Ah tá. Mas e aí, Mad Men estréia dia 25, tá sabendo? Você não viu as outras temporadas? Mas daí, que séries você tá vendo? Tá baixando ou alugando? Viu ‘Guerra é Guerra’ com a Reese Witherspoon? Não tem ido ao cinema? Mas daí você comprou uma TV daquelas bacanudas? É Smart? Não sabe? É? Já ligou? Baixou que aplicativos? Não conectou? Ah, os aplicativos são maneiros… mas ainda dá pra melhorar. Já ligou o seu iPad na sua AppleTV pra jogar? Não? Pô, ouvi dizer que os consoles tão morrendo, que o futuro é jogar no tablet direto, ligando na TV talvez. Blueray? Nem comprei. Vem no PS3 mas daí eu não tenho nada em Blueray. Aliás, ganhei uns de Natal, mas nunca vi. Mas daí, você tá usando Keynote ou PowerPoint? Já tá usando o último pacote da Adobe? E o Photoshop pra iPhone, você já viu? Tem o iPhoto agora também, ficou maneiro. Mas eu prefiro mesmo é o Snapseed. Você tá atualizando o teu Instagram? Não tem iPhone? Ah, parece que vão lançar a versão pra Android. Mas daí acho que vai crowdear muito. O maneiro do Instagram justamente é que tem pouca gente, só imagem, fácil de ver. Mas não to atualizando muito não depois que comecei a fazer os meus boards no Pinterest. A parada é muito maneira, você fica viciadão rapidinho. Mas o que eu tô achando mais legal agora é mesmo o Draw Something. Os caras são muito geniais! Nem tá dando tempo de jogar Fifa 12. Pô entrei no Fifa do iPad, escolhi o Barça e não tinha o Messi! No do Mac tem. É, tô jogando no Mac, ficou muito bom! Mas eu jogo com um gamepad da Logitech. Igualzinho console! Não PES não vi ainda, acho que não tem. Mas o Fifa tá muito maneiro. Mas tá f., não posso jogar de noite, se não aí é que eu não vou dormir mesmo antes das 2. Mas daí, no trabalho você abre o Facebook? Prefiro não misturar? Vocês usam GMail lá? Notes? Caraca. Mas dá pra pegar email no iPhone? Prefiro o Blackberry pra digitar, touch é muito ruim. Não sei, não lembro meu número de celular de cabeça. Na minha mesa tem ramal, mas eu não sei qual é. Não, telefone toca pouco. Respondo tudo por email. To-do list? Faço não. Prefiro concentrar tudo no inbox, é um lugar só para olhar. Caraca, é muito email, não dou conta… Pô e o prazo pra julgar aquele prêmio? Perdi. E aqueles emails que tão sem resposta? Pô não responder é sacanagem. Deixa aí, alguma hora eu respondo. O prazo da coluna? Tá estouradaço.

Qual foi o dia em que paramos de prestar atenção nas coisas pra prestar atenção em tudo, porque era tudo muito interessante, mas simplesmente não tínhamos mais tempo pra olhar tudo? Esse dia chegou, passou, e não prestamos atenção.

Vivemos numa era de possibilidades infinitas, de coisas extraordinárias, mas simplesmente ainda não aprendemos a ‘navegar’ entre todas essas coisas. O tempo permanece o mesmo e ninguém recebeu upgrade no hardware físico. A memória continua a mesma.

E quando é muita informação é colocada num lugar que não comporta? **STACK OVERFLOW**. Você certamente já viu isso escrito em algum lugar, mas provavelmente não se lembra, ou simplesmente não prestou atenção.

O túnel do tempo do mobile

November 22, 2011 Tags: , Comente 662 views

O túnel do tempo do mobile
Por Michel Lent Schwartzman

Artigo escrito para a Revista Wide de novembro de 2011.

Em 6 de julho de 2000, escrevi um artigo chamado ‘O túnel do tempo da Internet’, onde eu descrevia então minha primeira experiência com a navegação na internet usando o mobile. Na época, a única forma de se navegar era usando o WAP (Wireless Access Protocol), um padrão tecnológico que permitia aos dispositivos móveis acessar a internet.

Com o WAP era possível usar o celular para entrar em sites e outros serviços, abrindo novas formas de uso para o mobile, até então limitado a voz e texto.

Minha impressão na época foi a de ter entrado em um túnel do tempo da internet, me lembrando o que era navegar nos primórdios da Web e mesmo antes disso, quando a navegação era feita toda em texto.

Pois 11 anos depois, me sinto novamente em um túnel do tempo da internet ao olhar o mobile, agora não do ponto de vista da experiência de uso, mas do mercado.

Estamos na era 2.0 do mobile, a era dos smartphones com acesso à internet rápida (apesar do 3G no Brasil ainda apresentar muitos problemas), a era de serviços, aplicações, entretenimento, tudo feito na telinha.

Acontece que boa parte da dinâmica deste novo mercado mobile se assemelha e muito ao que aconteceu no mercado de Web há alguns anos. Vamos a alguns paralelos.

INCLUIR MOBILE NO PLANO DE MÍDIA DO ANUNCIANTE

Web: Era preciso lembrar aos planejadores de mídia de incluir Web nos planos. O ‘offline’ frequentemente se esquecia do ‘online’.

Mobile: Hoje os planos de mídia já saem integrados com off-line e Web, mas agora é preciso lembra-los do mobile.

SOBRINHOS

Web: No final dos anos 90, início de 2000, o mercado estava inundado de pequenas empresas e mesmo frilas que concorriam por grandes clientes.

Mobile: Agora é a vez do mobile, com inúmeros desenvolvedores independentes, deixando os clientes muitas vezes confusos com orçamentos completamente disparatados.

DISPUTA DE TERRITÓRIO

Web: As primeiras empresas a fazer ‘Web’ vinham da indústria do software ou da comunicação.

Mobile: As empresas de mobile hoje vem do ‘Mobile 1.0’ ou empresas de Web que começam a fazer também mobile.

FALTA DE DADOS

Web: Até hoje faltam pesquisas bem embasadas para a Web, mas no começam elas simplesmente não existiam e foi preciso que as empresas que atuam no mercado organizassem isso.

Mobile: Também há muito pouca informação e está a cargo de alguns empreendedores pioneiros formatar isso.

FORMAÇÃO DE MÃO DE OBRA

Web: Os cursos específicos de formação de mão de obra para a Web surgiram apenas no início dos anos 2000.

Mobile: Ainda são praticamente inexistentes os cursos que formam mão de obra para esse mercado.

O paralelo não para por aqui. Poderia continuar ad eternum.

Mas se por um lado o mercado mobile está precisando passar pelas mesmas etapas de Web, por outro lado há uma série de vantagens de estar chegando depois.

Ele lida com usuários ‘digitalizados’, já acostumados à interação, faz uso de dispositivos mais baratos (comparativamente) e, na maioria das vezes, tem aplicações muito relevantes. Trabalha em cima de uma base de usuários gigante, muito maior do que é a Web hoje em dia e portanto é muito mais massivo.

Isso faz com que o mobile ‘queime’ as etapas da Web muito mais rapidamente, podendo ainda contar com a experiência de quem já vive no mercado digital há muitos anos.

E, em alguns casos, a semelhança com o que aconteceu na Web é tão grande, que dá pra brincar de ‘bola de cristal’ e dizer quais vão ser os próximos passos do mobile.

Mas isso é assunto para uma próxima coluna!

Desculpe Mr. Anderson, a Web não está nada morta.

September 16, 2011 Tags: , Comente 329 views

Desculpe Mr. Anderson, a Web não está nada morta.
Por Michel Lent Schwartzman

Artigo para a Revista Wide de setembro de 2011.

Chris Anderson declarou há quase exatos 12 meses, que a Web estava morta. ‘The Web is Dead’, dizia o muitas vezes sensacionalista Andersen, afirmando que as pessoas cada vez menos navegam em sites e portanto a Web estaria morrendo.

Claro, esta é uma maneira de categorizar o que está acontecendo.

A outra forma é dizer que a Web está mais viva do que nunca, apenas passando por um processo de ‘aplicatização’.

Estamos cada dia mais online e não menos. Talvez não navegando em sites de Web, mas certamente cada vez mais ligados com nossos smartphones, tablets e agora TVs, todos conectados à internet.

Em cada um destes novos dispositivos vamos encontrando novos formatos de conteúdo e serviços, novas ‘app stores’. Google Chrome, Webapps, aplicações para TVs conectadas, ou mesmo os apps para iOS, Android e outros sistemas operacionais.

Vamos nos divertindo, conhecendo e instalando aplicações todos os dias, nestes novos dispositivos. Encontrando coisas novas cada vez mais úteis e fascinantes.

Mas o que são estes maravilhosos aplicativos se não exatamente destinações (sites) orientadas a conteúdos e serviços, formatados de um jeito diferente? Pare para pensar: o que são (ou deveriam ser) conceitualmente sites, se não exatamente o mesmo que apps?

Aplicativos são basicamente uma versão moderna, atualizada e prática de sites. Com uma interface muito diferente e diferenças técnicas também, mas cumprem exatamente o mesmo papel, só que em outros formatos e novas possibilidades associadas ao hardware em que são instalados que nos levam muito além daquilo que Web tradicional nos permitiu até aqui.

Mas técnica e conceitualmente, um aplicativo para o Google Chrome é nada mais do que um site construído em HTML5, Javascript com uma interface mais simples, com ‘cara’ de aplicativo que você baixa para seu dispositivo. Um app para iPhone é essencialmente um site, em outro formato, muito mais útil, mas segue cumprindo basicamente a função que um site cumpria. Algo que vem pela internet, pode ser atualizado remotamente, que busca informações, que oferece um serviço, que fala de uma marca, etc.

Pense no aplicativo do seu banco e pense no seu internet banking. Sim, há diferenças entre os dois, mas eles cumprem essencialmente a mesma função, em formatos diferentes.

Portanto, se pararmos pra pensar, estamos realmente deixando de navegar pelo site A, B ou C, mas por outro lado, cada vez mais, gastando tempo em aplicativos dentro de smartphones, tablets e novos formatos de tela que ainda estão por vir.

Se pensarmos que a Web conceitualmente não é apenas feita de sites tradicionais em navegadores tradicionais, mas que ela é o conjunto de tudo que fazemos na internet, pensando em todos os dispositivos e aplicativos, me desculpe Mr. Andersen, mas não a Web não está nada morta. Ao contrário, está cada vez mais interessante e nós cada vez mais conectados a ela, assistindo felizes ao seu processo de ‘aplicatização’.

Estamos afinal vendo surgir uma nova era da internet, formada por inúmeros tipos de delas conectadas, todas parte daquilo que conhecemos com o World Wide Web, que está mais viva do que nunca.

Artigo: “Em qualquer tela, qualquer lugar”

August 18, 2011 Tags: , 4 comentários 1,976 views

A mobilidade mudou. Agora está em qualquer tela, em qualquer lugar. Meu novo artigo para a Revista youPIX. :)

“Quantas horas você fica conectado na internet?”, a pergunta da pesquisa quer saber. E eu tenho medo de responder: “Não me desconecto nunca!”.

Ficar na internet e o conceito de “estar conectado” nada mais têm a ver com ficar na frente de um computador. Quando se fala em mobile, ainda vem à cabeça o telefone celular. Não um iPhone ou Android propriamente dito, mas um daqueles metálicos, que dobram e tocam os ringtones mais cafonas. Esses aparelhos fazem parte do universo “mobile”, mas mobilidade nada mais tem a ver com telefones celulares.

Não podemos mais contar quanto tempo a gente “fica na internet” porque, tecnicamente, se você tem um smartphone no bolso e tem pacote de dados, seu smartphone está “online” 100% do tempo. Ele recebe mensagens, e-mails, acessa a internet. Só porque você não está olhando pra ele não quer dizer que você não esteja conectado.

Os iPads (e outros tablets de que eu não lembro o nome) são móveis e em nada se parecem com um celular. Também não podemos dizer que são computadores, mas são, e passam a maior parte do tempo conectados.

Deixamos de ter computadores de mesa lá em casa faz alguns anos. Apenas um roteador Wi-Fi e laptops. Laptops estão em movimento e estão conectados. Olha o mobile aí de novo.

Mas daí você corre pra TV 40+ polegadas e finalmente se desconecta. Se desconectava. Estão chegando ao mercado, a toda velocidade, as TVs conectadas ou Smart TVs. Com acesso à internet e até aplicativos.

Nesse universo de tantos aparelhos conectados, e num cotidiano onde passamos de um aparelho para o outro sem escalas, pensar em dispositivos ou em conexão à internet perdeu o sentido. Não tem mais estar online ou offline. Não tem mais como estar mobile ou não mobile.

Entramos na era da mobilidade total e conexão 100% do tempo, em qualquer tela e em qualquer lugar.

A era do ‘Snail-Email’

July 14, 2011 Tags: , Comente 390 views

A era do ‘Snail-Email’
Por Michel Lent Schwartzman

Artigo para a Revista Wide de julho de 2011.

Há muitos anos atrás, você não vai se lembrar porque provavelmente não tinha nascido ou ainda não sabia escrever, o email não existia. Ou melhor, existir existia desde os anos 60, mas praticamente ninguém no mundo usava.

Se você quisesse mandar uma mensagem escrita pra alguém, usava o que a gente chamava de ‘carta’. As cartas eram escritas à mão ou datilografadas numa máquina de escrever (procure na Wikipedia), colocadas num envelope e levadas até o correio (aquele lugar por onde chegam as encomendas do eBay), onde ganhavam um selo e eram enviadas para o destinatário de caminhão ou avião. Depois um carteiro (isso, de carne e osso!) levava o envelope pessoalmente até sua casa ou escritório e a carta finalmente chegava.

Esse processo todo evidentemente era demorado. As cartas enviadas pelo correio demoravam alguns dias pra chegar até o destinatário. Fosse na mesma cidade ou país, uns poucos dias. Fosse para fora do Brasil, podiam levar semanas. Uma comunicação por carta, podia levar até quase um mês entre a primeira carta e a resposta.

Mas você com certeza já sabia disso tudo. Deve ter aprendido sobre isso numa aula de história ou visto um documentário sobre o assunto no Discovery History, não é mesmo? ;)

Depois, com o email, aquilo que levava um mês pra acontecer, passou a acontecer em segundos ou no máximo alguns minutos. Precisa falar ou mandar alguma info para alguém que está longe? Manda um email. Chega em segundos, a pessoa lê e responde. Tudo muito rápido e nem precisa de selos!

Foi sem dúvida uma mudança radical na vida das pessoas.

Daí o correio eletrônico, conhecido de todos nós como o email, se tornou popular. E mais e mais gente começou a usar até um ponto em que praticamente todo mundo que a gente conhecia passou a ter.

E ficou tão fácil essa comunicação eletrônica que novas formas de mensagem foram surgindo. Instant messengers, recados em redes sociais, muitas redes sociais. E a gente foi abrindo mais contas de email, uma pro trabalho, outra pessoal, outra para o blog e por aí afora.

E quando menos nos demos conta, havia tanta, mas tanta, mas tanta mensagem pra ler e responder, que uma coisa estranha aconteceu. Aquela mensagem eletrônica que levava segundos pra chegar passou a demorar dias para ser respondida. Porque sim, os sistemas continuaram fazendo as mensagens chegar instantaneamente, mas elas começaram a ser tantas que simplesmente começamos a não dar mais conta mais de responder na mesma velocidade.

E de repente, as comunicações começaram a demorar novamente. As vezes, tanto quanto as antigas cartas de papel.
Não aconteceu com todo mundo, nem todo mundo se deu conta disso ainda. E tem muita gente que manda email, scrap, DM e algumas horas depois te manda outra perguntando por que você não respondeu ainda a primeira. Mas muita gente já percebeu e cada vez mais vamos nos acostumar que a comunicação vai voltar a demorar pra acontecer. Agora não mais porque a ‘carta’ demora pra chegar, mas agora simplesmente porque a gente demora pra chegar na mensagem que recebemos, uma vez que são tantas.

Em inglês, o correio tradicional, pela sua demora, foi carinhosamente apelidado de ‘snail-mail’ em português, ‘correio lesma’.

Pois sejam bem-vindos a era do ‘snail-email’ o ‘correio eletrônico lesma’, não porque seja lento, mas porque simplesmente não dá mais pra gente ser tão rápido em responder tanta mensagem.

O novo ‘bico’ na Internet

May 22, 2011 Tags: , 1 comentário 566 views

O novo ‘bico’ na Internet
Por Michel Lent Schwartzman

Artigo para a Revista Wide de Maio de 2011

“Bico na Internet – Usuários descobrem fonte de renda nas páginas da Rede”

O título acima foi a manchete de uma matéria da revista Veja Rio de 26 de fevereiro de 1997. O texto contava que um grupo de usuários da Rede havia encontrado uma fonte de receita fazendo páginas para clientes e estavam cobrando por isso. Este ‘bico’ descoberto pela equipe de reportagem da revista era o começo do que hoje conhecemos como o mercado profissional de agências digitais. E um dos grupos de usuários da matéria era composto por mim e meus então sócios, com então recém-criada produtora 10’Minutos.

Claquete.

14 anos se passaram, e eu juro que vi de novo esta manchete estampada na capa de alguma reportagem atual, desta vez falando sobre o mercado de desenvolvimento de aplicativos para smartphones e tablets. A matéria falava sobre um novo mercado que estava se abrindo onde empresas começavam a se estruturar e oferecer serviços desta natureza. Igualzinho ao texto de 97, desta vez falando de aplicativos.

Não pude ignorar o paralelo. Há semelhanças entre as duas situações. Mas principalmente diferenças.

Como a ‘corrida do ouro’ que se iniciou em 1997, vemos um revival do frenesi e das reais oportunidades em um novo mercado que está se formando e para onde diversas das atuais empresas que trabalham no desenvolvimento de soluções para a internet começam a se direcionar. Assim como no passado praticamente toda empresa ou pequeno negócio tinha seu site, estamos vivendo uma demanda semelhante para a produção de aplicativos.

Mas as semelhanças param por aí e desenvolver para o mercado de smartphones e tablets hoje em dia está longe de poder ser considerado um ‘bico’ dadas as diferenças das realidades.

A primeira e mais relevante de todas é o que podemos chamar de ‘massa crítica’ de usuários. A Web no Brasil em 1997 não chegava a ter 1 milhão de usuários. Em 2011, calcula-se que já existam no Brasil mais de 20 milhões de smartphones, 10% de uma base de 207 milhões de celulares habilitados que está se transformando rapidamente. A estimativa é a de que em 2014, existam mais de 115 milhões de smartphones no Brasil .

A segunda, e também muito importante, é a quantidade de empresas prestadoras de serviço digitais no país. Se em 1997 o profissional de internet não existia nem conceitualmente, em 2011 existem mais de 2500 ‘agências’ digitais catalogadas pela ABRADI (Associação Brasileira de Agências Digitais) e espalhadas por todo o país .

Claro que não são 2500 empresas já desenvolvendo aplicativos. Na realidade, não temos este número ainda disponível, mas temos claro que praticamente toda produtora/agência/studio que faz projetos Web já recebeu, ou vai receber em muito breve, uma demanda para a criação e produção de um aplicativo de iPhone, iPad ou mesmo Android.
Acontece que o desafio de entrar neste novo mercado não é tão simples.

Sim, criar aplicativos para smartphones e tablets pode ser considerado um desdobramento natural dos serviços que prestam as agências digitais, uma vez que os processos de produção são semelhantes, mas a dinâmica deste novo ecossistema é muito diferente.

Desde as questões básicas de usabilidade de interface até as os fatores de sucesso e fracasso dos aplicativos há toda uma lógica nova a ser aprendida e esta mudança não deve se dar tão naturalmente para todos.

Veremos de início um novo processo de pulverização de empresas oferecendo este tipo de serviço e em seguida uma fase de consolidação e o aparecimento de grandes players, exatamente como se deu no mercado de Web.

Quem serão estes novos players? Qual plataforma será líder de mercado? Qual a importância que terão os aplicativos em detrimento dos sites? Quanto navegaremos por dispositivos móveis? São todas questões ainda em aberto que irão configurar este novo mercado que agora se forma.

Daqui a 14 anos, certamente vamos ter muitas respostas. ☺

Na balada do acesso fácil, do download grátis, da exuberância do conteúdo, uma coisa bastante importante está sendo esquecida ou simplesmente não está recebendo a atenção devida: se ninguém pagar pelo conteúdo, como é que quem produz conteúdo vai pagar suas contas? Na medida em que os modelos ‘tradicionais’ de produção e distribuição de conteúdo vão parando de funcionar, ainda não temos necessariamente modelos que os substituam. E se não encontrarmos alternativas, periga chegarmos a um ponto onde não vai ter grana pra quem produz o que a gente gosta. E não vai dar pra viver só de gatinhos tocando piano no YouTube. Veja a minha coluna na Revista Pix #33.

Você blogueiro/twitteiro amigo que tem milhares de seguidores certamente já teve a sorte de entrar numa dessas e não há do que reclamar. Algo que já acontece há tempos e cada vez mais: ações de ativação trabalhando com pessoas influentes para falar de produtos e marcas.

É sobre esse assunto minha nova coluna para a Revista Pix # 32.

Pix #32 - Coluna LifeBits: A boca-livre da social media

PS: o crédito da foto saiu errado. A foto é de Luis Leão.

Pix #31: A maldição da info-obesidade

October 28, 2009 Tags: , , , 6 comentários 3,534 views

Aqui está meu artigo para a Pix #31 tratando daquilo que tem tirado o nosso sono e ocupado nosso tempo de forma nem sempre proveitosa. Aquilo que até a pouco não tinha um nome, mas agora tem: info-obesidade.

A maldição da info-obesidade. Meu artigo para a Pix #31

Transcrição:
“Eu juro que ouvi essa expressão em uma palestra, mas não consegui achar depois procurando no Google – e, você sabe, se não está no Google não existe. Então considero que o termo passa a estar cunhado agora, e junto com o termo vai a definição: Info-obesidade – s.f. Excesso de informação, consumida pelas infinitas formas de mídia disponíveis no mundo contemporâneo.

Quem seriam os info-obesos? Basicamente todos nós, habitantes do mundo digital contemporâneo, com acesso aos inúmeros canais de informação que agora temos à nossa disposição. A verdade é que consumimos in-fi-ni-ta-men-te mais informação do que conseguimos processar ou digerir. E isso não é necessariamente bom. Não causa impactos visíveis à nossa figura, mas afeta forte as nossas cabeças.

Nós, info-obesos, estamos cada vez mais saturados de informação e cada vez mais rasos de conhecimento. É sim, você ouviu isso na TV, naquele comercial do Estadão (e em outros com discurso parecido), mas é a pura verdade. À medida que vamos consumindo mais e mais informação não vamos necessariamente ganhando mais conhecimento. Veja se você reconhece a cena. É 1 da manhã e você está com o notebook no colo. A TV ligada no finalzinho do Jô, que você assiste por pura inércia. Uma janela com o Twitter, outra com o MSN Messenger, 8 tabs abertas no seu Firefox, o Facebook, o leitor de RSS e o e-mail em algum canto. Você está morto de cansado e sabe que precisa ir dormir, mas ainda não terminou de percorrer todos os feeds de informação que você possui. Portanto, não dá pra desligar. Nada mais é produtivo, mas você continua ali, post depois de post, feed depois de feed, consumindo mais informação e ficando mais info-obeso.

Cadê o tempo para se aprofundar? Um post com mais de 2 parágrafos? Um vídeo com mais de 3 minutos? Um artigo de 2 páginas? Uma revista? Livro, nem pensar? Nas únicas 24 horas do seu dia, que tal trocar um pouco das calorias das informações pela nutrição do conhecimento? :)

Michel Lent Schwartzman é publicitário interativo, mesmo nas horas vagas.