It’s the end of the world, as we know it  —  na publicidade brasileira

It's the end of the world as we know it

A maturidade do digital com uso massivo e melhores tecnologias de mídia. A conclusão do processo sucessório em diversas agências emblemáticas. A crise de 2015. É o fim do mercado publicitário como nós conhecemos. E o surgimento de um novo.

No dia em que se anunciou a esperada saída de Marcello Serpa e José Luiz Madeira da extraordinária AlmapBBDO, no café que tomava com um amigo pela manhã falávamos disso. Na conversa que tive ontem, as da semana passada e todos os sinais que pude notar o mercado emitir nos últimos 3 anos à frente da Pereira & O’Dell, desembocam num mesmo lugar: a falada mudança e transformação do mercado publicitário brasileiro está agora finalmente e efetivamente acontecendo.

É o fim do mercado de publicidade brasileiro as we knew it. E é um caminho sem volta.

Há 3 anos Sergio Valente deixava o Grupo abc, para assumir a comunicação da TV Globo. A chegada da CP+B, Erh e Gal abrindo a BETC, desembarque da AQKA, o próprio lançamento da Pereira & O’Dell. A ascenção da Wieden + Kennedy, a compra da Cubo.cc, a fusão da DPZ e da Taterka, os rumores de IPO e/ou venda do Grupo abc,, o desenho do processo sucessório na DM9, a saída de Celso da Loducca. Monica de Carvalho passando da Dm9 para o Google. A mudança de nome da emblemática AgênciaClick para se transformar em Isobar. A migração de verbas para meios mais mensuráveis, a explosão do Facebook e do Google e o enfraquecimento dos portais brasileiros, a saída de Enor Paiano depois de 20 anos de UOL. A dança das contas da Ambev, a pulverização das verbas, distribuídas, encolhidas, desaparecidas.

Um número incontável de mudanças impossível de se acompanhar e de se listar aqui. Mas uma certeza: o mercado publicitário brasileiro deixou o formato que durou pelos últimos 20 anos, seja por suas pessoas, seus modelos de negócio, ou por suas verbas e está agora em franca e tremenda transformação.

Na esteira do que aconteceu com os mercados de música, vídeo, mídia impressa, agora estamos vendo a real e inevitável “disrupção” (perdão pelo anglicismo) do modelo do mercado publicitário.

Como será o mercado daqui a 5 anos? Impossível dizer. Mas certamente será completamente diferente do que temos hoje e qualquer certeza além dessa vai se desmanchar no ar.

Uma ameaça? Certamente. Uma oportunidade? Sim. Extraordinária.

Avante!

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O Blog Morreu. Viva o Blog!

Is blogging dead?

Quando comecei a fazer sites o trabalho era todo HTML na unha. Dai vieram as ferramentas de publicação, cada vez melhores e mais sofisticadas. Dai vieram os blogs e a hegemonia do WordPress. Que maravilha poder publicar de forma tão fácil, sem entender praticamente nada de tecnologia.

Alguns bons sites e publicações mantinham (e ainda mantém) o seu seleto grupo de articulistas e fazer parte de um desses era e continua sendo uma honra, porque o grupo de pessoas escrevendo era pequeno e a audiência era grande.

Escrever o seu blog então, era um grande desafio, mas muito bacana. Fazer o post, usar a rede social para compartilhar e gerar tráfego para sua propriedade. Houve quem monetizasse e e tenha tirado um trocado com anúncios em blogs. Aconteceu comigo.

Dai as grandes plataformas sociais foram ganhando cada vez mais adeptos e cada vez mais gente se conectando e conversando. E a partir destas redes novos espaços para a publicação. Seja a plataforma mais orientada para o texto (Medium, Buzzfeed), para a imagem (Tumblr e Pinterest, Instagram), video (YouTube, Snapchat) seja para a conexão profissional (LinkedIn) ou um pouco de tudo (Facebook).

Fato é que essas novas plataformas criaram audiências gigantescas e grandes praças de conversa e para que uma publicação sua tenha audiência, você precisa publicar nelas.

Hoje ao fazer um artigo, você vai provavelmente querer compartilhar ele no LinkedIn, certamente no Facebook, provavelmente vai botar ele no Medium ou, dependendo, subir no Buzzfeed. Provavelmente vai republicar em todos esses lugares.

E a sua audiência potencial será tão grande quanto a tua rede estendida permitir e o quão interessante for o material que você está publicando.

Dai duas reflexões vem à cabeça nessa hora. Onde ficará guardado o histórico das suas publicações (será que a gente precisa de histórico? quem lê o passado?) e se você pode publicar, todo mundo pode também. E na medida que todo mundo publica, cadê tempo pra ler tudo isso e como fazer pra cortar o ruído e ser percebido?

Daí você considera reativar o seu blog porque lá, pode não ter a audiência dessas grandes plataformas, mas tem só você (ou um pequeno grupo publicando) e o histórico vai ficar todo lá.

O blog morreu, mas viva o blog.

E agora deixa eu ir republicar esse artigo em outras plataformas pra ver se alguém lê…

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A Hora da Internet

Em 2005 escrevi o artigo “Feliz Internet Nova“, onde dizia que aquele ano seria o ano da internet. O ano em que as coisas já estavam maduras e que tudo começava a caminhar bem afinal, pra quem estava nesse mercado já há mais de 10 anos.

Parecia que ia ser, mas não foi.

Depois em 2006, 7, 8 e por ai em diante, todos os anos, parecia que a internet ia virar o mainstream, mas nada.

Depois de um tempo desisti de acompanhar. Fui para o mobile. Mergulhei no mundo das agências de propaganda. E o digital passou a ser mais uma ferramenta dentro do toolkit. Importante, mas mais uma.

Vira 2015 e 8 meses dentro do novo governo Dilma, o pais está mergulhado no caos. Eu tenho idade pra me lembrar do que foi a hiperinflação, os planos econômicos e mesmo o governo Collor. Mas todos dizem que agora é a pior de todas as crises. Pode ser.

No meio desse redemoinho louco, sentado na cadeira do mundo das agências e da publicidade, vejo despontar o impensável. Ou o há tanto tempo desejado: 2015 pode ser sim, afinal de contas, e quase 20 anos depois de seu início, o ano da internet.

No meio da pior crise de que se tem notícia, surge a licença para a ruptura com os modelos vigentes e a busca de solução. E essa busca, tudo indica, é o grande motor que está fazendo com que empresas e anunciantes corram para o digital, talvez por ser sua única solução.

Formas de anunciar menos dispendiosas ou ao menos mais aferíveis. Novos formatos de mídia, novos formatos de conteúdo, provocando um grande movimento de troca de agências, busca de novas soluções. Investimento em tecnologia. Investimento em inovação.

O mundo parece estar ruindo em diferentes frentes sim. E aquilo que existia, pode ser que nunca mais vá existir. Dinheiro evapora. Novos formatos aparecem mas não remuneram como antes. Empresas desaparecendo, profissionais sem rumo de um lado. Novas empresas e profissionais surgindo de outro.

No meio do mais impensado caos e da crise, e talvez pela razão menos nobre, parece que finalmente estamos de frente com o tão esperado “ano da internet”.

Vendedores de guarda-chuvas e lenços, uni-vos. Essa é a sua, nossa chance.

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Mas e a publicidade?

Second screen kids

Compartilhei um link para uma matéria que mostrava que a TV não é mais a tela preferida das crianças. Junto do link, comentei que a TV tecnicamente não é mais uma TV, mas sim um computador com tela gigante, onde é possível se ver desde programação das emissoras de TV até conteúdos sob demanda e internet.

A conversa continuou com algumas interações sobre a matéria. Em meio aos comentários, uma amiga perguntou, “Mas e a Publicidade? Como ficam agências e produtores de conteúdo se a audiência está migrando?”.

Essa é a grande questão que vem tirando o sono, tanto de produtores de conteúdo quanto das agências há alguns anos: com o fim do break comercial se aproximando, como fica a publicidade.

É um problema sem dúvida para o formato comercial das empresas que ai estão, dos três lados: agências; produtores de conteúdo e anunciantes. Como fazer pra chegar a informação sobre novo produto ou serviço para as pessoas, se elas estão deixando de ver TV com breaks comerciais (e ler revistas e jornais também).

Na realidade, isso já começou a se resolver. As duas maiores plataformas digitais da atualidade, Google e Facebook, vivem de publicidade e ela não é o break da TV. Search, posts patrocinados, pre-rolls em vídeo, são os formatos publicitários que em muitos mercados já superaram o investimento em TV, para onde o dinheiro parece estar se dirigindo.

Do lado do anunciante, muitas novas empresas, produtos e serviços, vem se firmando e conquistando as pessoas sem qualquer uso de publicidade. Quando foi que você viu algum anúncio do Uber por ai? E do Waze? Instagram? Whatsapp? Já ouviu falar do NuBank? A fórmula do desenho de serviço e crescimento orgânico não vale para qualquer tipo de produto, mas está provado que colocar um serviço realmente relevante e bem feito é o suficiente para conquistar novos clientes (ou usuários). Eles mesmos se encarregam de contar a novidade para os demais.

Para os produtores de conteúdo, a conta tenta ser equilibrada com novas fontes de receita, seja de assinaturas ou venda unitária em multi-canais de distribuição. Netflix, Hulu, AppleTV, Amazon, Net Now, são exemplos de canais que distribuem conteúdo em troca de micro-pagamentos. E lá você encontra basicamente os mesmos grandes produtores (Fox, Universal, HBO, etc) que apostam nas mega- produções, mas há espaço para a cauda longa também dos independentes.

Se esses novos formatos de publicidade, forma de se criar serviços, produzir e se remunerar por conteúdo, vão ou não pagar a conta, é difícil dizer.

Vão pagar alguma conta, isso é certo, mas não dá pra dizer que irão pagar as contas das empresas que hoje estão ai.

A preocupação é geral mas, tenha certeza, todas as grandes corporações já estão mobilizadas procurando alternativas. Grandes grupos de comunicação apostando em novos formatos de agência e empresas; anunciantes trabalhando em inovação; grupos de conteúdo procurando novos formatos de criação e distribuição. E novos pure players aparecendo e mostrando novas e ainda mais interessantes alternativas.

Nada mais será como antes, isso é certo. Mas que vem muita coisa nova bacana por aí, não resta a menor dúvida.

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Good-bye On/Off. Hello Branding/Performance

Branding x Performance

A queda do muro do on/off foi prevista e decretada já há alguns anos. A parede foi derrubada, mas ainda resta debris no caminho, que ainda vai levar um tempo para ser limpo completamente. Processos ainda precisam ser ajustados aqui e ali, estruturas revistas, modelos de remuneração refeitos. Mas conceitualmente, é difícil, pra não dizer impossível, encontrar alguém hoje em dia que não faça eco e concorde com o fim desta separação.

Mas isso nos leva a outros universos, que por hora continuam separados e, tenho dúvidas se algum dia vão se juntar: a construção de marcas, (branding) e a performance.

O branding, totalmente orientado à construção, posicionamento e lembrança de marcas. Feito através de muito planejamento, criação e conteúdo, rico em imagens, video, design. A performance, radicalmente focada no resultado final de vendas, aumento de tráfego, geração de leads, conversão.

Um não existe sem o outro você vai dizer. É possível se fazer as duas coisas ao mesmo tempo, eu vou ouvir. Fato é que, sim, os dois universos estão interligados, mas são habilidades muito específicas. E hoje se encontram em pontas radicalmente distantes.

No passado, branding esteve renegado ao mundo offline. Performance ao mundo digital, com as taxas de clique e tudo mais que pode ser mensurado. Dai chegou o vídeo para o online, a programática e melhores formas de segmentação para o offline e os universos se misturaram.

Mas a forma de se trabalhar branding e performance continuaram muito diferentes e exigem conhecimentos muito específicos para que sejam bem feitos. Grupos de pessoas e/ou empresas com skill sets muito diferentes.

A partir de agora teremos as agências que vão poder fazer branding em qualquer plataforma, usando qualquer meio e aquelas que vão trabalhar as ferramentas de performance e os resultados de negócio como ninguém.

Portanto, na próxima procura por agências especializadas, esqueça de vez por todas o assunto online/offline e pense quem vai poder te ajudar a construir bem sua marca e/ou te ajudar com os resultados de negócio. Provavelmente você vai trabalhar com duas empresas diferentes. E vai precisar ser assim por um tempo.

Até que esse muro também caia.

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“Getting Down to Business” (artigo)

“Getting Down to Business”
A nova era de startups é muito animadora, mas o desafio da monetização continua imenso.

Michel Lent Schwartzman – Agosto de 2012.

O sucesso astronômico do Angry Birds, a venda do Instagram por USD 1 bi para o Facebook e mais uma série de ‘histórias de sucesso’ que imprensa tem noticiado nos últimos meses trouxe de volta um frenesi inegável para o mercado de tecnologia.

A história não chega a ser inédita. Quem já estava por aqui em 1999 se lembra das loucuras que rondavam o então mercado .COM, onde qualquer empresa de tecnologia ganhava investimentos fartos e pagava salários absurdos em busca do sonhado IPO e da chance de fazer milionários

Muita gente se beneficiou nesta ciranda que era então, basicamente financeira. Porque apesar de toda a promessa do incrível mundo que a tecnologia podia fazer, havia verdadeiramente pouca massa crítica de usuários de internet naquela época, 360 milhões de usuários em todo o mundo, sendo que pouco mais de 5 mihões no Brasil e o número de empreendimentos de internet acabava sendo completamente desproporcional aos usuários disponíveis.

Doze anos depois a realidade é completamente diferente. Mais de 1/3 da população mundial já acessa a internet através de computadores, 1 bilhão em uma única rede social (Facebook), mais de 90 milhões de usuários de internet no Brasil, e quando incluímos nesta conta os usuários de telefone celular que começam a acessar a internet através de seus dispositivos móveis, chegamos a números verdadeiramente astronômicos.

É verdade. Hoje é possível se construir um serviço digital e ter ele acessado rapidamente por milhões de usuários em todo o mundo. Algo que você cria em sua casa com um grupo de amigos, pode ter uma popularidade astronômica.

Escolhi a palavra ‘popularidade’ de propósito.

Num mundo com bilhões de usuários de internet, ter algo popular, se você for parar para pensar, é algo até bastante simples de acontecer. Inventar algo que é popular é muito bacana e recompensador do ponto de vista pessoal, mas a popularidade em nada garante seu sucesso financeiro.

Os modelos de receita baseados em publicidade se mostraram insustentáveis. Se o New York Times tem dificuldade em viabilizar sua operação online com publicidade, é sinal de que o modelo apresenta problemas e a reposta para isso é simples: as propriedades digitais em busca de publicidade aumentaram exponencialmente nos últimos anos enquanto o número de grandes anunciantes permaneceu o mesmo, ou diminuiu (face as consolidações das empresas).

E ter o sucesso financeiro, não baseado em publicidade, de um Instagram ou de um Angry Birds, não tem nada de simples.

A Rovio, empresa que criou o Angry Birds, já existia há mais de 10 anos e havia lançado 52 jogos antes de acertar a mão com os pássaros zangados. E o Instagram estava no lugar e na hora certa na negociação financeira feita com o Facebook.

Mérito da Rovio e do Instagram? Sem dúvida. A questão é que para cada caso de sucesso há dezenas de milhares de outros casos de fracasso.

Muitos fracassos podem ser atribuídos a falta de sorte. Sim, por mais que você se esforce e faça seu trabalho, a sorte é ainda assim um fator importante em todo caso de sucesso.

Mas a grande maioria dos casos de fracasso, nada tem a ver com a sorte. Tem a ver simplesmente com a falta de definição clara do modelo de negócios que não seja baseado em publicidade.

A pessoa tem a idéia e a idéia pode ser até bem popular e ganhar milhões de usuários, mas acha que vai ganhar dinheiro com propaganda. A receita de publicidade pode até ser suficiente para um indivíduo sozinho, mas dificilmente irá sustentar uma empresa. Portanto, se não houver outro modelo de receita e de negócios claro, basicamente estamos falando de algo que está fadado a se tornar insustentável a longo prazo.

Ao longo dos últimos anos tive o privilégio de receber dezenas de empreendedores iniciando suas startups com idéias muito bacanas, mas a pergunta que sempre fazia na mesa depois de assistir ao ‘pitch’ inicial era: “OK, mas como é que isso vai dar dinheiro?” e quando a resposta era “Com publicidade”, sempre acabávamos voltando para a estaca zero.

Se você está no momento de empreender, aproveite a boa onda e o bom momento. Suas chances de sucesso são sim imensas, desde que você não deixe de ‘get down to business’ definindo modelos de negócio sustentáveis, logo no primeiro momento.

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**INFORMATION STACK OVERFLOW** Ou, “O dia em que paramos de prestar atenção”

**INFORMATION STACK OVERFLOW**
Ou, “O dia em que paramos de prestar atenção”
Por Michel Lent Schwartzman

Artigo escrito para Revista Wide de março de 2012.

Você viu aquele último infográfico sobre o Pinterest? Acompanhou a queda dos mobile games da Zynga contra a ascensão do Draw Something? Como tá o seu campeonato no Fifa 12? Tem ligado seu PS3? Viu a discussão no Facebook sobre o viral da pré-campanha do Kony? Ficou sabendo que o Itaú ganhou um milhão de likes? Viu a hashtag que tava bombando hoje de tarde no Twitter? O viral mais recente no YouTube? Abriu o seu Flipboard hoje? Leu algum jornal? Avançou em algum livro da sua lista de leitura? Viu a capa da Exame? Passou o olho na Wired? Viu as matérias da F@stCompany? Entendeu as diferenças do novo iPad? E o número de Androids que não para de crescer? Viu o Jornal da Globo ontem? Porto Digital bombando e até 70 milhões de internautas móveis até o fim do ano no Brasil! Seu 3G tá funcionando? Leu os comentários que deixaram no seu Instagram? Encomendou seus imãs? Imprimiu alguma das fotos da viagem? Fez o backup das fotos? Conseguiu configurar o seu dropbox? Deu uma olhada nos novos apps da app store? Assinou o Netflix? Comprou a AppleTV brasileira? Viu os filmes que já tem? E os do Now? Deu uma olhada? Lembrou de deixar uma mensagem no wall do seu amigo? Foi aniversário dele, lembrou? Aproveitou pra responder as mensagens diretas que te deixaram no Face? E as do Twitter? Respondeu? E o Whatsapp? Abriu o seu email pessoal hoje? Conseguiu apagar o spam que escapou do filtro? Respondeu aquele email que está lá há uma semana? Olhou o inbox agora de tarde? Já organizou de novo? E a sua lista de tarefa? Já viu a última versão do iProcrastinate? É sério, o app chama assim mesmo e faz sync com o iCloud. Conseguiu migrar para o iCloud falando nisso? Aliás, já atualizou pro Lion? Vem aí o Mountain Lion, tá sabendo? Tá ficando mais parecido com o iOS. Ah, você tá usando Windows? Mas daí, tá dando pau ou tá estável? O anti-virus tá em dia? Tem feito backup do HD? Viu que agora tem seguro contra roubo de tablet e smartphone? Tá bombando de vender. Arrumou algum esquema de backup na nuvem? Tá lembrando de fazer o backup de tudo? O seu GMail também tá lotando? E agora? Vai abrir outra conta? Mas precisa guardar mesmo todas as mensagens? O timesheet, já preencheu? Instalou o Raportive? É o máximo, dá pra saber tudo da pessoa que tá te escrevendo email, tem até fotinho. Aliás, lembrou de aceitar os convites no LinkedIn? Entrou lá recentemente? Seu currículo tá atualizado lá? E lembrou de escrever as recomendações que te pediram? Ah, já fez sua página no About.me? Fica muito maneira. Ah, mas é melhor fazer no Zerply também, just in case. Aliás, o teu CV tá em inglês no LinkedIn? By the way, how is your English? Tá good? Tá bombando de gringo vindo para o Brasil procurando gente legal. E no final das contas, é só fazer alguma parada em inglês pro mundo inteiro ver. Se fizer um app e colocar na app store pode ficar milionário, você viu? Tá cheio de gente ficando. Eu não conheço ninguém, mas o tem um conhecido de um amigo meu que ficou. Fez um aplicativo, programou de madrugada. E os frilas, tá conseguindo fazer? Foi na academia essa semana? Não? Pagou pelo menos? Ah tá. Mas e aí, Mad Men estréia dia 25, tá sabendo? Você não viu as outras temporadas? Mas daí, que séries você tá vendo? Tá baixando ou alugando? Viu ‘Guerra é Guerra’ com a Reese Witherspoon? Não tem ido ao cinema? Mas daí você comprou uma TV daquelas bacanudas? É Smart? Não sabe? É? Já ligou? Baixou que aplicativos? Não conectou? Ah, os aplicativos são maneiros… mas ainda dá pra melhorar. Já ligou o seu iPad na sua AppleTV pra jogar? Não? Pô, ouvi dizer que os consoles tão morrendo, que o futuro é jogar no tablet direto, ligando na TV talvez. Blueray? Nem comprei. Vem no PS3 mas daí eu não tenho nada em Blueray. Aliás, ganhei uns de Natal, mas nunca vi. Mas daí, você tá usando Keynote ou PowerPoint? Já tá usando o último pacote da Adobe? E o Photoshop pra iPhone, você já viu? Tem o iPhoto agora também, ficou maneiro. Mas eu prefiro mesmo é o Snapseed. Você tá atualizando o teu Instagram? Não tem iPhone? Ah, parece que vão lançar a versão pra Android. Mas daí acho que vai crowdear muito. O maneiro do Instagram justamente é que tem pouca gente, só imagem, fácil de ver. Mas não to atualizando muito não depois que comecei a fazer os meus boards no Pinterest. A parada é muito maneira, você fica viciadão rapidinho. Mas o que eu tô achando mais legal agora é mesmo o Draw Something. Os caras são muito geniais! Nem tá dando tempo de jogar Fifa 12. Pô entrei no Fifa do iPad, escolhi o Barça e não tinha o Messi! No do Mac tem. É, tô jogando no Mac, ficou muito bom! Mas eu jogo com um gamepad da Logitech. Igualzinho console! Não PES não vi ainda, acho que não tem. Mas o Fifa tá muito maneiro. Mas tá f., não posso jogar de noite, se não aí é que eu não vou dormir mesmo antes das 2. Mas daí, no trabalho você abre o Facebook? Prefiro não misturar? Vocês usam GMail lá? Notes? Caraca. Mas dá pra pegar email no iPhone? Prefiro o Blackberry pra digitar, touch é muito ruim. Não sei, não lembro meu número de celular de cabeça. Na minha mesa tem ramal, mas eu não sei qual é. Não, telefone toca pouco. Respondo tudo por email. To-do list? Faço não. Prefiro concentrar tudo no inbox, é um lugar só para olhar. Caraca, é muito email, não dou conta… Pô e o prazo pra julgar aquele prêmio? Perdi. E aqueles emails que tão sem resposta? Pô não responder é sacanagem. Deixa aí, alguma hora eu respondo. O prazo da coluna? Tá estouradaço.

Qual foi o dia em que paramos de prestar atenção nas coisas pra prestar atenção em tudo, porque era tudo muito interessante, mas simplesmente não tínhamos mais tempo pra olhar tudo? Esse dia chegou, passou, e não prestamos atenção.

Vivemos numa era de possibilidades infinitas, de coisas extraordinárias, mas simplesmente ainda não aprendemos a ‘navegar’ entre todas essas coisas. O tempo permanece o mesmo e ninguém recebeu upgrade no hardware físico. A memória continua a mesma.

E quando é muita informação é colocada num lugar que não comporta? **STACK OVERFLOW**. Você certamente já viu isso escrito em algum lugar, mas provavelmente não se lembra, ou simplesmente não prestou atenção.

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O túnel do tempo do mobile

O túnel do tempo do mobile
Por Michel Lent Schwartzman

Artigo escrito para a Revista Wide de novembro de 2011.

Em 6 de julho de 2000, escrevi um artigo chamado ‘O túnel do tempo da Internet’, onde eu descrevia então minha primeira experiência com a navegação na internet usando o mobile. Na época, a única forma de se navegar era usando o WAP (Wireless Access Protocol), um padrão tecnológico que permitia aos dispositivos móveis acessar a internet.

Com o WAP era possível usar o celular para entrar em sites e outros serviços, abrindo novas formas de uso para o mobile, até então limitado a voz e texto.

Minha impressão na época foi a de ter entrado em um túnel do tempo da internet, me lembrando o que era navegar nos primórdios da Web e mesmo antes disso, quando a navegação era feita toda em texto.

Pois 11 anos depois, me sinto novamente em um túnel do tempo da internet ao olhar o mobile, agora não do ponto de vista da experiência de uso, mas do mercado.

Estamos na era 2.0 do mobile, a era dos smartphones com acesso à internet rápida (apesar do 3G no Brasil ainda apresentar muitos problemas), a era de serviços, aplicações, entretenimento, tudo feito na telinha.

Acontece que boa parte da dinâmica deste novo mercado mobile se assemelha e muito ao que aconteceu no mercado de Web há alguns anos. Vamos a alguns paralelos.

INCLUIR MOBILE NO PLANO DE MÍDIA DO ANUNCIANTE

Web: Era preciso lembrar aos planejadores de mídia de incluir Web nos planos. O ‘offline’ frequentemente se esquecia do ‘online’.

Mobile: Hoje os planos de mídia já saem integrados com off-line e Web, mas agora é preciso lembra-los do mobile.

SOBRINHOS

Web: No final dos anos 90, início de 2000, o mercado estava inundado de pequenas empresas e mesmo frilas que concorriam por grandes clientes.

Mobile: Agora é a vez do mobile, com inúmeros desenvolvedores independentes, deixando os clientes muitas vezes confusos com orçamentos completamente disparatados.

DISPUTA DE TERRITÓRIO

Web: As primeiras empresas a fazer ‘Web’ vinham da indústria do software ou da comunicação.

Mobile: As empresas de mobile hoje vem do ‘Mobile 1.0’ ou empresas de Web que começam a fazer também mobile.

FALTA DE DADOS

Web: Até hoje faltam pesquisas bem embasadas para a Web, mas no começam elas simplesmente não existiam e foi preciso que as empresas que atuam no mercado organizassem isso.

Mobile: Também há muito pouca informação e está a cargo de alguns empreendedores pioneiros formatar isso.

FORMAÇÃO DE MÃO DE OBRA

Web: Os cursos específicos de formação de mão de obra para a Web surgiram apenas no início dos anos 2000.

Mobile: Ainda são praticamente inexistentes os cursos que formam mão de obra para esse mercado.

O paralelo não para por aqui. Poderia continuar ad eternum.

Mas se por um lado o mercado mobile está precisando passar pelas mesmas etapas de Web, por outro lado há uma série de vantagens de estar chegando depois.

Ele lida com usuários ‘digitalizados’, já acostumados à interação, faz uso de dispositivos mais baratos (comparativamente) e, na maioria das vezes, tem aplicações muito relevantes. Trabalha em cima de uma base de usuários gigante, muito maior do que é a Web hoje em dia e portanto é muito mais massivo.

Isso faz com que o mobile ‘queime’ as etapas da Web muito mais rapidamente, podendo ainda contar com a experiência de quem já vive no mercado digital há muitos anos.

E, em alguns casos, a semelhança com o que aconteceu na Web é tão grande, que dá pra brincar de ‘bola de cristal’ e dizer quais vão ser os próximos passos do mobile.

Mas isso é assunto para uma próxima coluna!

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Desculpe Mr. Anderson, a Web não está nada morta.

Desculpe Mr. Anderson, a Web não está nada morta.
Por Michel Lent Schwartzman

Artigo para a Revista Wide de setembro de 2011.

Chris Anderson declarou há quase exatos 12 meses, que a Web estava morta. ‘The Web is Dead’, dizia o muitas vezes sensacionalista Andersen, afirmando que as pessoas cada vez menos navegam em sites e portanto a Web estaria morrendo.

Claro, esta é uma maneira de categorizar o que está acontecendo.

A outra forma é dizer que a Web está mais viva do que nunca, apenas passando por um processo de ‘aplicatização’.

Estamos cada dia mais online e não menos. Talvez não navegando em sites de Web, mas certamente cada vez mais ligados com nossos smartphones, tablets e agora TVs, todos conectados à internet.

Em cada um destes novos dispositivos vamos encontrando novos formatos de conteúdo e serviços, novas ‘app stores’. Google Chrome, Webapps, aplicações para TVs conectadas, ou mesmo os apps para iOS, Android e outros sistemas operacionais.

Vamos nos divertindo, conhecendo e instalando aplicações todos os dias, nestes novos dispositivos. Encontrando coisas novas cada vez mais úteis e fascinantes.

Mas o que são estes maravilhosos aplicativos se não exatamente destinações (sites) orientadas a conteúdos e serviços, formatados de um jeito diferente? Pare para pensar: o que são (ou deveriam ser) conceitualmente sites, se não exatamente o mesmo que apps?

Aplicativos são basicamente uma versão moderna, atualizada e prática de sites. Com uma interface muito diferente e diferenças técnicas também, mas cumprem exatamente o mesmo papel, só que em outros formatos e novas possibilidades associadas ao hardware em que são instalados que nos levam muito além daquilo que Web tradicional nos permitiu até aqui.

Mas técnica e conceitualmente, um aplicativo para o Google Chrome é nada mais do que um site construído em HTML5, Javascript com uma interface mais simples, com ‘cara’ de aplicativo que você baixa para seu dispositivo. Um app para iPhone é essencialmente um site, em outro formato, muito mais útil, mas segue cumprindo basicamente a função que um site cumpria. Algo que vem pela internet, pode ser atualizado remotamente, que busca informações, que oferece um serviço, que fala de uma marca, etc.

Pense no aplicativo do seu banco e pense no seu internet banking. Sim, há diferenças entre os dois, mas eles cumprem essencialmente a mesma função, em formatos diferentes.

Portanto, se pararmos pra pensar, estamos realmente deixando de navegar pelo site A, B ou C, mas por outro lado, cada vez mais, gastando tempo em aplicativos dentro de smartphones, tablets e novos formatos de tela que ainda estão por vir.

Se pensarmos que a Web conceitualmente não é apenas feita de sites tradicionais em navegadores tradicionais, mas que ela é o conjunto de tudo que fazemos na internet, pensando em todos os dispositivos e aplicativos, me desculpe Mr. Andersen, mas não a Web não está nada morta. Ao contrário, está cada vez mais interessante e nós cada vez mais conectados a ela, assistindo felizes ao seu processo de ‘aplicatização’.

Estamos afinal vendo surgir uma nova era da internet, formada por inúmeros tipos de delas conectadas, todas parte daquilo que conhecemos com o World Wide Web, que está mais viva do que nunca.

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Artigo: “Em qualquer tela, qualquer lugar”

A mobilidade mudou. Agora está em qualquer tela, em qualquer lugar. Meu novo artigo para a Revista youPIX. 🙂

“Quantas horas você fica conectado na internet?”, a pergunta da pesquisa quer saber. E eu tenho medo de responder: “Não me desconecto nunca!”.

Ficar na internet e o conceito de “estar conectado” nada mais têm a ver com ficar na frente de um computador. Quando se fala em mobile, ainda vem à cabeça o telefone celular. Não um iPhone ou Android propriamente dito, mas um daqueles metálicos, que dobram e tocam os ringtones mais cafonas. Esses aparelhos fazem parte do universo “mobile”, mas mobilidade nada mais tem a ver com telefones celulares.

Não podemos mais contar quanto tempo a gente “fica na internet” porque, tecnicamente, se você tem um smartphone no bolso e tem pacote de dados, seu smartphone está “online” 100% do tempo. Ele recebe mensagens, e-mails, acessa a internet. Só porque você não está olhando pra ele não quer dizer que você não esteja conectado.

Os iPads (e outros tablets de que eu não lembro o nome) são móveis e em nada se parecem com um celular. Também não podemos dizer que são computadores, mas são, e passam a maior parte do tempo conectados.

Deixamos de ter computadores de mesa lá em casa faz alguns anos. Apenas um roteador Wi-Fi e laptops. Laptops estão em movimento e estão conectados. Olha o mobile aí de novo.

Mas daí você corre pra TV 40+ polegadas e finalmente se desconecta. Se desconectava. Estão chegando ao mercado, a toda velocidade, as TVs conectadas ou Smart TVs. Com acesso à internet e até aplicativos.

Nesse universo de tantos aparelhos conectados, e num cotidiano onde passamos de um aparelho para o outro sem escalas, pensar em dispositivos ou em conexão à internet perdeu o sentido. Não tem mais estar online ou offline. Não tem mais como estar mobile ou não mobile.

Entramos na era da mobilidade total e conexão 100% do tempo, em qualquer tela e em qualquer lugar.

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