O novo ‘bico’ na Internet

O novo ‘bico’ na Internet
Por Michel Lent Schwartzman

Artigo para a Revista Wide de Maio de 2011

“Bico na Internet – Usuários descobrem fonte de renda nas páginas da Rede”

O título acima foi a manchete de uma matéria da revista Veja Rio de 26 de fevereiro de 1997. O texto contava que um grupo de usuários da Rede havia encontrado uma fonte de receita fazendo páginas para clientes e estavam cobrando por isso. Este ‘bico’ descoberto pela equipe de reportagem da revista era o começo do que hoje conhecemos como o mercado profissional de agências digitais. E um dos grupos de usuários da matéria era composto por mim e meus então sócios, com então recém-criada produtora 10’Minutos.

Claquete.

14 anos se passaram, e eu juro que vi de novo esta manchete estampada na capa de alguma reportagem atual, desta vez falando sobre o mercado de desenvolvimento de aplicativos para smartphones e tablets. A matéria falava sobre um novo mercado que estava se abrindo onde empresas começavam a se estruturar e oferecer serviços desta natureza. Igualzinho ao texto de 97, desta vez falando de aplicativos.

Não pude ignorar o paralelo. Há semelhanças entre as duas situações. Mas principalmente diferenças.

Como a ‘corrida do ouro’ que se iniciou em 1997, vemos um revival do frenesi e das reais oportunidades em um novo mercado que está se formando e para onde diversas das atuais empresas que trabalham no desenvolvimento de soluções para a internet começam a se direcionar. Assim como no passado praticamente toda empresa ou pequeno negócio tinha seu site, estamos vivendo uma demanda semelhante para a produção de aplicativos.

Mas as semelhanças param por aí e desenvolver para o mercado de smartphones e tablets hoje em dia está longe de poder ser considerado um ‘bico’ dadas as diferenças das realidades.

A primeira e mais relevante de todas é o que podemos chamar de ‘massa crítica’ de usuários. A Web no Brasil em 1997 não chegava a ter 1 milhão de usuários. Em 2011, calcula-se que já existam no Brasil mais de 20 milhões de smartphones, 10% de uma base de 207 milhões de celulares habilitados que está se transformando rapidamente. A estimativa é a de que em 2014, existam mais de 115 milhões de smartphones no Brasil .

A segunda, e também muito importante, é a quantidade de empresas prestadoras de serviço digitais no país. Se em 1997 o profissional de internet não existia nem conceitualmente, em 2011 existem mais de 2500 ‘agências’ digitais catalogadas pela ABRADI (Associação Brasileira de Agências Digitais) e espalhadas por todo o país .

Claro que não são 2500 empresas já desenvolvendo aplicativos. Na realidade, não temos este número ainda disponível, mas temos claro que praticamente toda produtora/agência/studio que faz projetos Web já recebeu, ou vai receber em muito breve, uma demanda para a criação e produção de um aplicativo de iPhone, iPad ou mesmo Android.
Acontece que o desafio de entrar neste novo mercado não é tão simples.

Sim, criar aplicativos para smartphones e tablets pode ser considerado um desdobramento natural dos serviços que prestam as agências digitais, uma vez que os processos de produção são semelhantes, mas a dinâmica deste novo ecossistema é muito diferente.

Desde as questões básicas de usabilidade de interface até as os fatores de sucesso e fracasso dos aplicativos há toda uma lógica nova a ser aprendida e esta mudança não deve se dar tão naturalmente para todos.

Veremos de início um novo processo de pulverização de empresas oferecendo este tipo de serviço e em seguida uma fase de consolidação e o aparecimento de grandes players, exatamente como se deu no mercado de Web.

Quem serão estes novos players? Qual plataforma será líder de mercado? Qual a importância que terão os aplicativos em detrimento dos sites? Quanto navegaremos por dispositivos móveis? São todas questões ainda em aberto que irão configurar este novo mercado que agora se forma.

Daqui a 14 anos, certamente vamos ter muitas respostas. ☺

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Pix #33: E a conta do conteúdo? Quem vai pagar?

Na balada do acesso fácil, do download grátis, da exuberância do conteúdo, uma coisa bastante importante está sendo esquecida ou simplesmente não está recebendo a atenção devida: se ninguém pagar pelo conteúdo, como é que quem produz conteúdo vai pagar suas contas? Na medida em que os modelos ‘tradicionais’ de produção e distribuição de conteúdo vão parando de funcionar, ainda não temos necessariamente modelos que os substituam. E se não encontrarmos alternativas, periga chegarmos a um ponto onde não vai ter grana pra quem produz o que a gente gosta. E não vai dar pra viver só de gatinhos tocando piano no YouTube. Veja a minha coluna na Revista Pix #33.

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Pix #32: A boca-livre da social media – meu novo artigo na coluna LifeBits

Você blogueiro/twitteiro amigo que tem milhares de seguidores certamente já teve a sorte de entrar numa dessas e não há do que reclamar. Algo que já acontece há tempos e cada vez mais: ações de ativação trabalhando com pessoas influentes para falar de produtos e marcas.

É sobre esse assunto minha nova coluna para a Revista Pix # 32.

Pix #32 - Coluna LifeBits: A boca-livre da social media

PS: o crédito da foto saiu errado. A foto é de Luis Leão.

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Pix #31: A maldição da info-obesidade

Aqui está meu artigo para a Pix #31 tratando daquilo que tem tirado o nosso sono e ocupado nosso tempo de forma nem sempre proveitosa. Aquilo que até a pouco não tinha um nome, mas agora tem: info-obesidade.

A maldição da info-obesidade. Meu artigo para a Pix #31

Transcrição:
“Eu juro que ouvi essa expressão em uma palestra, mas não consegui achar depois procurando no Google – e, você sabe, se não está no Google não existe. Então considero que o termo passa a estar cunhado agora, e junto com o termo vai a definição: Info-obesidade – s.f. Excesso de informação, consumida pelas infinitas formas de mídia disponíveis no mundo contemporâneo.

Quem seriam os info-obesos? Basicamente todos nós, habitantes do mundo digital contemporâneo, com acesso aos inúmeros canais de informação que agora temos à nossa disposição. A verdade é que consumimos in-fi-ni-ta-men-te mais informação do que conseguimos processar ou digerir. E isso não é necessariamente bom. Não causa impactos visíveis à nossa figura, mas afeta forte as nossas cabeças.

Nós, info-obesos, estamos cada vez mais saturados de informação e cada vez mais rasos de conhecimento. É sim, você ouviu isso na TV, naquele comercial do Estadão (e em outros com discurso parecido), mas é a pura verdade. À medida que vamos consumindo mais e mais informação não vamos necessariamente ganhando mais conhecimento. Veja se você reconhece a cena. É 1 da manhã e você está com o notebook no colo. A TV ligada no finalzinho do Jô, que você assiste por pura inércia. Uma janela com o Twitter, outra com o MSN Messenger, 8 tabs abertas no seu Firefox, o Facebook, o leitor de RSS e o e-mail em algum canto. Você está morto de cansado e sabe que precisa ir dormir, mas ainda não terminou de percorrer todos os feeds de informação que você possui. Portanto, não dá pra desligar. Nada mais é produtivo, mas você continua ali, post depois de post, feed depois de feed, consumindo mais informação e ficando mais info-obeso.

Cadê o tempo para se aprofundar? Um post com mais de 2 parágrafos? Um vídeo com mais de 3 minutos? Um artigo de 2 páginas? Uma revista? Livro, nem pensar? Nas únicas 24 horas do seu dia, que tal trocar um pouco das calorias das informações pela nutrição do conhecimento? :)”

Michel Lent Schwartzman é publicitário interativo, mesmo nas horas vagas.

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Nelson Motta e o fim da música (da fotografia, do vídeo, etc)

Nelson Motta fala hoje em sua coluna no Estadão, sobre a facilidade de se produzir música hoje em dia e como o mundo está sendo inundado com porcaria, uma vez que ficou muito simples e barato se produzir este tipo de conteúdo depois da digitalização da informação e o barateamento das ferramentas de produção.

Eu acrescento que, se isso vale para a música, certamente se estende para outros tipos conteúdo como fotografia e vídeo, e mesmo textos (blogs), podcasts, etc. Trata-se da democratização das ferramentas de produção em um mundo digitalizado.

Mas se é verdade que o acesso popular às ferramentas produz muito lixo (e produz mesmo), também considero verdade que da quantidade vem a qualidade. Essa democratização permite tanto o aparecimento de novos talentos, que antes não tinham acesso ou não chegavam aos filtros de publicação (gravadoras, editoras, jornais, etc), quanto também permite o aprimoramento da técnica. Vamos usar o exemplo da fotografia: para se aprender a fotografar é necessária muita tentativa e erro e, há pouco mais de 10 anos, errar significava gastar filme e dinheiro. Hoje quem tem interesse na fotografia, erra a vontade com sua câmera digital praticamente sem custo nenhum.

Concordo com o genial Nelson Motta que pode haver pouco horizonte no mundo de novidades da música e o mesmo valeria para as outras mídias mas acho que, no momento em que popularizamos e democratizamos tanto estas ferramentas estamos abertos à probabilidade de que coisas geniais apareçam de onde menos esperamos, simplesmente por uma questão estatística: da quantidade vem a qualidade.

Assim acredito eu, com todo respeito, Seu Nelson. :)

Leia a coluna do Nelson Motta abaixo.

Nelson Motta e o fim da música

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