Ainda no tema do que está acontecendo com a internet e o que está acontecendo com as nossas mentes expostas ao uso da rede por mais de uma década, vem este interessante artigo de Steve Lohr, colunista de tecnologia do New York Times, publicado no Estadão de hoje.
Lohr reflete sobre as recentes declarações de Chris Anderson e Michael Wolff na Wired Magazine de que a Web estaria morta uma vez que navegamos menos e menos pela Web livre e cada vez mais fazemos uso de aplicativos e plataformas fechadas. Lohr argumenta que o surgimento de novas mídias sempre modificou as anteriores mas não acabou com elas e que agora estaríamos vendo o mesmo fenômeno acontecer aqui.
No meu ponto de vista, o argumento de Nicholas Narr de que estaríamos ficando burros com a internet, e os de Anderson, Wolff e Lohr, na realidade são partes do mesmo contexto. A super-exposição de informação e possibilidades a qual estamos expostos está fazendo com que busquemos simplificar nossas opções de consumo de mídia e serviços e otimizar nosso tempo. Justamente porque estamos sobrecarregados e nos sentido burros, estamos caminhando para concentrar nossas atividades em grandes estruturas unificadas como Facebook, Twitter e aplicativos, tentando assim concentrar nosso tempo em um pouco menos de atividades ou menos interfaces e assim nos sentirmos menos perdidos e, quem sabe, menos burros. (A quantidade de ‘menos’ na frase é proposital. Falei sobre ‘Menos é Menos’ neste artigo para a Pix).
A discussão é interessantissima e ela parece estar basicamente começando.
Vale a pena ler o artigo de Steve Lohr publicado hoje no Estadão e reproduzido abaixo.
No fuzuê já tradicional que a Apple cria, mostrando produtos que só serão vendidos meses a frente, e seguindo o mesmo caminho do New York Times, a WiReD também anuncia sua versão digital para leitores tipo tablet. Revistas digitais não são novidade e já existem há bastante tempo na Web. Mas agora começamos a entrar numa fase onde elas terão uma hardware mais apropriado para sua leitura e manuseio.
Nesta linha a WiReD fez parceria com ninguém menos do que a maior especialista em motion e graphics do mundo, a Adobe (a despeito dos iPads não rodarem o Adobe Flash diretamente como plugin – dá para exportar a partir do Flash para iPhones e para iPads). Sendo a mais iconográfica publicação do mundo da inovação digital, certamente era de se esperar que a WiReD estivesse pronta para esta nova fase do mundo e ela correspondeu. Veja a demonstração no vídeo abaixo.
Os tablets são a próxima grande revolução? Acredito que sejam uma pequena grande revolução.
Não me parece que serão a revolução que foram os tocadores de música ou os smartphones, uma vez que os tablets aparecem com uma função bastante direcionada ao conteúdo editorial gráfico — aquilo que ainda chamamos de mídia impressa, mas que em breve pode deixar de ser parcial, ou totalmente impressa em alguns casos.
Não acredito que serão substitutos de todos os livros e revistas, mas certamente irão acabar com muitos livros e revistas — aqueles onde a experiência com o objeto físico não seja tão relevante e onde as vantagens das interfaces interativas seja significativa.
Vamos continuar comprando revistas e principalmente livros pelo objeto em si, seu acabamento, tamanho, peso, textura. Mas certamente vamos querer ver publicações como a WiReD com a sua mesma qualidade visual em interfaces que permitam interações, movimento, multimidia.
Pelo menos essa é a opinião de Paul Boutin em seu artigo para a Wired. Ele diz, resumidamente, que o frescor da blogosfera passou e que a ação agora se dá mesmo nas redes sociais e no Twitter. E que os blogs mais importantes hoje são na realidade revistas profissionais, feitas por diversos colaboradores.
Esse é provavelmente também o caso aqui no Brasil, onde cada vez mais os blogs coletivos vão ganhando importância e audiência. E por experiência própria, sinto que desde que comecei a usar o Twitter, realmente diminuí bastante minha atividade aqui no ViuIsso.
Mas será que esse movimento realmente aponta para o fim dos blogs? Acho que não.
Acho que na realidade os blogs começam a mudar de papel com a entrada destas novas opções de publicação e passam a ganhar uma função mais reflexiva e de arquivo. É um pouco a mesma dinâmica que mexeu com jornais impressos e internet, onde a internet dá a notícia e os impressos refletem e aprofundam.
Na minha experiência pessoal, eu divido as coisas assim. Posts rápidos com achados, pensamentos curtos e links, vão para o meu Twitter. Coisas que gostaria de guardar ou pensamentos mais profundos, vêm para o blog.
E a vida segue com todo mundo convivendo, cada um com seu papel.
Pensando em começar um blog? Manda brasa e capriche nas suas reflexões.